A Noiva Assassina do Rei da Máfia

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Capítulo 7 Capítulo 7

POV da Scarlett

O registro do casamento levou quinze minutos.

Assinei meu nome três vezes. O Damon assinou o nome dele três vezes. A funcionária carimbou os papéis. Pronto.

Eu era oficialmente a sra. Wolfe.

A gente saiu do prédio da prefeitura na luz da tarde. O Damon parou nos degraus e se virou pra mim.

— Quer alguma coisa? — ele perguntou. — A gente acabou de casar. Eu devia te comprar alguma coisa.

Balancei a cabeça.

— Eu não preciso de nada.

Ele só ficou ali parado. Olhando pra mim como se eu tivesse dito alguma coisa muito estranha.

— A maioria das mulheres quer presente de casamento — ele disse devagar. — Joia. Roupa. Bolsa. Alguma coisa.

— Eu não sou a maioria das mulheres.

— Claramente. — Ele esfregou o rosto com uma das mãos. — Scarlett, você precisa aprender a pedir as coisas. Você não pode simplesmente dizer que não precisa de nada.

— Mas eu não preciso de nada.

Ele parecia estar prestes a ter uma dor de cabeça.

Os olhos dele desceram pro meu pulso. Eu vi o olhar dele travar no meu relógio.

Merda.

— Esse relógio — ele disse. — Parece que tá pra desmontar.

Puxei a manga pra cobrir.

— Ele funciona bem.

O relógio era velho. O visor de cristal todo arranhado. A pulseira de couro rachada, descascando. Tinha cara de lixo.

Mas também era uma das minhas ferramentas mais importantes.

— Scarlett. — A voz dele estava paciente. Paciente demais. — Deixa eu te comprar um relógio novo.

— Esse aqui marca bem a hora.

Ele abriu a boca. Fechou. Abriu de novo. Nada saiu.

Quase ri. O homem mais temido de Nova York, sem palavras porque eu não deixava ele me comprar um relógio.

— Tá bom — ele disse por fim. — E roupa?

Eu hesitei.

A verdade é que eu realmente precisava de roupa. Tudo na casa dos Romano tinha sido sobra da Zelda. Eu tinha deixado tudo pra trás. A camiseta e o jeans que eu tava usando? Eu já tava com eles havia dois dias seguidos.

— Tá — eu disse. — Roupa ia ser bom.

O rosto dele se iluminou. Como se eu tivesse acabado de dar a melhor notícia da vida dele.

Ele puxou o celular.

— Esvazia a seção feminina do Wolfe Tower Mall. Agora. E manda duas personal stylists.

— Pera, quê? — Agarrei o braço dele. — Eu só quero comprar umas roupas normais. Não preciso que esvaziem o shopping.

— Por quê não?

— Porque eu não sou a Rainha da Inglaterra! Eu só quero olhar as coisas como uma pessoa normal!

Deus, a última coisa que eu precisava era parar na coluna de fofoca. “Esposa misteriosa do chefão do crime fecha shopping inteiro pra fazer compras.” Perfeito. Simplesmente perfeito.

Ele guardou o celular. Me olhou de novo com aquela expressão. Aquela que dizia que ele achava que eu era completamente maluca.

— Tá bom — ele disse. — A gente vai fazer compras como pessoas normais.

Vinte minutos depois, a gente parou em frente ao Wolfe Tower Mall.

Claro que era propriedade da família dele. Claro.

Pegamos o elevador até o último andar. A seção feminina de luxo. Em todas as vitrines tinha marca que eu reconhecia de revista. Chanel. Dior. Prada. Versace.

Meu coração afundou.

Eu queria roupa normal. Do tipo que dá pra enfiar na máquina de lavar e não chorar se estragar. Do tipo que não fica gritando “eu tenho dinheiro, por favor me assalta”.

O Damon foi direto pra loja mais perto. Eu fui atrás.

Ele parou em frente a um cabideiro. Puxou um vestido. Levantou pra eu ver.

Era bege. Gola alta. Manga comprida. A barra passava do joelho. O tecido parecia grosso e duro.

Eu fiquei olhando.

— Você tá grávida — ele disse. — Você devia se vestir de um jeito mais modesto.

Continuei olhando.

Aquele vestido parecia coisa que uma senhora de sessenta anos usaria pra ir ao culto de domingo. Talvez a um velório. Definitivamente não algo que uma mulher de vinte e dois anos colocaria no corpo por vontade própria.

— Isso é bem... atencioso — eu disse, com cuidado.

Ele sorriu. Sorriu mesmo. Como se achasse que tinha arrasado.

Meu Deus.

Ele devolveu o vestido. Foi pra outro cabideiro. Puxou outra coisa.

Dessa vez era vermelho berrante. Decote profundo. Justíssimo. Coberto de lantejoulas douradas. O tipo de vestido que você usa numa balada às duas da manhã. Ou talvez no tapete vermelho do Met Gala, se quisesse que os fotógrafos gritassem seu nome.

— Esse aqui tem presença — ele disse. Aproximou o vestido de mim. — O que você acha?

Eu achei que tava vivendo um pesadelo.

— Damon — eu disse devagar. — Exatamente onde você acha que eu ia usar isso?

— Jantar? Eventos? — Ele pareceu confuso. — É de grife.

— Eu vou no supermercado. Não vou desfilar em tapete vermelho.

A testa dele se franziu. Ele olhou pro vestido de novo. Depois pra mim. Depois de volta pro vestido.

— Você não gostou?

— É... ousado.

Ele pendurou de volta. Foi andando até outra seção. Voltou com roupas de academia pretas. Legging colada e top de sutiã esportivo. As duas peças tinham logos enormes de grife estampados.

— Isso é prático — ele disse. — E é de marca.

Deu vontade de chorar.

— Damon. — Eu mantive a voz bem suave. — Você acha mesmo que eu devo usar roupa de academia da Gucci nas minhas consultas de pré-natal?

Ele franziu a testa pro conjunto nas mãos.

Eu via ele tentando entender o que tinha de errado nas escolhas dele. Coitado, não fazia ideia.

— Comprar roupa é uma coisa pequena. Eu dou conta sozinha. Você provavelmente tem trabalho importante pra fazer — falei baixinho.

O rosto dele ficou neutro. Depois o maxilar travou.

Ah, não. Ele ficou ofendido.

Eu praticamente conseguia ler a mente dele. Outras mulheres imploram pro marido ir às compras com elas. Eu tiro tempo da minha agenda pra ajudar e ela tá tentando se livrar de mim.

O celular dele tocou.

Graças a Deus.

Ele olhou pra tela. A expressão dele mudou. Aquilo era importante.

— Eu devo atender — ele disse.

Eu coloquei meu melhor sorriso de esposa compreensiva.

— Claro! Vai lá. Trabalho é importante.

Ele hesitou.

— Você vai ficar bem sozinha?

— O médico disse que eu preciso ficar relaxada e feliz — lembrei. — E ninguém sabe que eu sou sua esposa ainda. Ninguém vai mexer com uma grávida qualquer fazendo compras.

Ele olhou pro outro lado da loja. Dois homens examinavam a seção de bolsas. Pareciam clientes normais. Não eram. Eu tinha batido o olho neles e visto que eram seguranças assim que a gente entrou.

Damon viu também.

— Uma hora — ele disse. — Aí o motorista vem te buscar.

— Tá bom.

— Não carrega nada pesado. Pede pra loja entregar tudo em casa.

— Tá bom.

— Se sentir qualquer coisa estranha, me liga na hora.

— Tá bom.

— E come alguma coisa. Você pulou o café da manhã.

— Tá bom.

Ele finalmente foi embora. Ainda falando ao telefone.

Eu fiquei ali, no meio da boutique de luxo. Eu já tinha sido assassina. Ia aonde queria. Fazia o que queria. Não respondia a ninguém.

Agora eu era casada com um chefão da máfia e tinha mais restrição do que quando trabalhava pro Círculo de Ferro.

Suspirei.

Hora de achar umas roupas normais de verdade. Se é que isso existia nesse andar.

Terceira Pessoa

As portas do elevador se abriram no andar de luxo. Zelda saiu primeiro. Madison veio logo atrás, seguida de mais duas meninas do grupinho do colégio particular delas.

— Meu Deus, Zelda, eu tô muito com inveja — Madison disse. Ela olhava em volta, pras lojas de grife. Os olhos bem arregalados. — Sua mãe simplesmente deixa você comprar aqui sem limite? Isso é muito doido.

— Nem é tanta coisa assim — Zelda disse. Ela tocou o cabelo loiro e sorriu. O sorriso parecia humilde, mas os olhos diziam outra coisa. — A mamãe só quer que eu pareça apresentável antes de começar em Columbia no outono. Ela diz que eu preciso de um guarda-roupa inteiro novo pra vida universitária em Nova York.

— Mesmo assim — disse uma das outras meninas. O nome dela era Ashley. — Nem todo mundo ganha passe livre pra fazer compra no andar de luxo. Meu pai me matava se eu sequer pedisse.

— Bom, nem todo mundo na família recebe o mesmo tratamento — Zelda falou baixinho. Ela foi andando na direção da loja da Chanel. — Mas a mamãe diz que eu mereci. Tenho me dedicado tanto às inscrições e às apresentações de piano. Ela acha que eu mereço ser recompensada.

Madison alcançou Zelda.

— Falando em família, o que tá rolando com a sua irmã? Aquela que voltou? Ela ainda tá morando com vocês?

As outras duas meninas se inclinaram pra mais perto. Queriam ouvir.

Zelda parou de andar. Mordeu o lábio. Pareceu desconfortável.

— Eu realmente não devia falar de coisa de família.

— Ah, conta — Ashley disse. — A gente é sua amiga. Você pode falar com a gente.

— É — disse a terceira garota. O nome dela era Sophie. — A gente já ouviu as histórias. De que ela foi sequestrada quando era pequena e cresceu num parque de trailers, sei lá. Ela é, tipo, muito esquisita?

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