A Noiva Assassina do Rei da Máfia

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Capítulo 2 Capítulo 2

Ponto de vista da Scarlett

O silêncio tomou conta da sala.

Eu observei a Viviana pegar o exame com as mãos trêmulas. O rosto dela ficou branco. Depois vermelho. Depois quase roxo.

“Você tá... o quê?” As pupilas dela dilataram. A boca abria e fechava como um peixe se afogando no ar.

“Grávida”, repeti. Mantive a voz neutra. “De quatro semanas.”

“Sua mentirosa, sua vagabunda!” a Viviana gritou. Chegou a voar cuspe da boca dela. “Como você pôde fazer isso? Como você pôde—”

Eu sorri. “Ainda posso me casar com a família Santoro, se você quiser”, falei. Minha voz estava tão razoável que provavelmente deu mais vontade ainda nela de gritar. “Desde que eles não se importem que a esposa do herdeiro esteja carregando o filho de outro homem. Tenho certeza que isso não vai causar problema nenhum.”

Eu vi o momento exato em que ela entendeu o que eu tinha acabado de fazer com a preciosa aliança dela.

A Viviana levantou a mão pra me dar um tapa.

Eu não recuei. Não me mexi. Só olhei direto nos olhos dela.

Eu já tinha apanhado de homens com o dobro do tamanho dela. Do pai adotivo. Eu já tinha sobrevivido a coisas que quebrariam alguém em mil pedaços.

A mão dela? Por favor.

Meus olhos devem ter mostrado tudo isso, porque a mão dela parou no ar. Por um segundo, eu vi algo que nunca tinha visto antes.

Ela estava com medo de mim.

Meu Deus, aquilo foi bom demais.

“Não se preocupa”, eu disse baixinho. “Não me importo de comer a comida deles, usar as roupas deles, morar na casa deles. Vou deixar eles criarem meu bebê também. Eu sou bem prática nesse ponto.”

A mão da Viviana caiu. Ela parecia como se eu tivesse acabado de acertar um soco no estômago dela. “Você não tem vergonha”, sussurrou.

“Scarlett.” A voz da Zelda era doce como mel. Preocupação pingava de cada palavra. “Mas você não tem namorado. O bebê... não é de... quer dizer, eu não quero pensar nada de ruim, mas...”

Ela deixou a frase morrer. A sugestão de que talvez eu fosse uma vagabunda. Talvez eu nem soubesse quem era o pai. Talvez tivesse sido estupro. Talvez algo ainda pior.

Olhei pra ela. Aqueles olhos azuis inocentes. A Zelda era boa no que fazia, isso eu tinha que admitir.

“Você tá perguntando se eu fui estuprada, Zelda?” perguntei. “É isso que você tá tentando dizer?”

Os olhos dela se arregalaram. “Não! Claro que não! Eu só—”

“Porque se é isso que você acha que aconteceu, você podia simplesmente perguntar direto”, continuei. “Não precisa ficar rodeando.”

O rosto da Zelda ficou cor-de-rosa. Ela parecia perdida. “Eu não quis dizer—”

O Sal bateu o punho na mesa.

As xícaras de café pularam. O líquido transbordou pelas bordas. A própria Zelda deu um pulo.

“Chega”, o Sal disse. A voz dele era gelo. “Você tem duas opções, Scarlett. Opção um: você interrompe essa gravidez e casa com o Adrian Santoro como estava combinado.”

“Opção dois”, ele continuou, “você sai desta casa e nunca mais volta. A família Romano não quer lixo como você.”

Engraçado como sangue não significava nada quando começava a atrapalhar.

Olhei pro meu pai. Pra minha mãe. Pro Lorenzo, que parecia desapontado. Pra Zelda, com os olhos brilhando de satisfação mesmo enquanto fingia estar abalada.

“Por favor”, a Zelda disse, virando-se para o Sal. “Eu caso com o Adrian no lugar dela. A culpa é toda minha. Eu devia ter—”

“Não.” O Sal cortou ela na hora. Pôs a mão no ombro da Zelda. Do jeito que nunca tinha encostado em mim. “Você não vai casar com aquele aleijado, minha princesa. Eu dou um jeito. Você não precisa se sacrificar.”

“Mas, pai—” A voz da Zelda agora era pequena.

“Não”, repetiu o Sal. A voz firme. Ele olhou pra mim. “Já a sua irmã precisa aprender a ter respeito pela família que aceitou ela de volta.”

Lorenzo balançou a cabeça.

— Você está aqui há seis meses, Scarlett. Seis meses, e não demonstrou nenhuma gratidão pelo que fizemos por você. O mínimo que podia fazer era mostrar um pouco de respeito.

Foi essa palavra que quebrou alguma coisa dentro de mim. Senti algo frio e afiado se acomodar no meu peito. Parecia liberdade.

— Respeito? — sorri. — Sinto muito, mas não. Eu não tenho nenhum respeito por vocês.

Me levantei.

Viviana arfou. Como se eu tivesse acabado de cometer um crime terrível por simplesmente ficar de pé na frente dela.

O sorriso sumiu do meu rosto. Olhei para cada um deles. Um por um.

— Eu vou ficar com o bebê — falei. — E vou embora. Acabou. Pra todo mundo. A partir de agora, estou cortando todos os laços com a família Romano.

Parei. Deixei que eles absorvessem aquilo.

— Não me liguem. Não me procurem. Não finjam que eu existo. Porque, pra mim, nenhum de vocês existe mais.

Caminhei até Viviana. Ela realmente se encolheu quando estendi a mão para pegar o papel nas mãos dela.

Peguei de volta o resultado do exame. Dobrei com cuidado. Guardei no bolso.

— Espera — a voz de Viviana estava diferente agora. Confusa. Quase em pânico. — Você não pode simplesmente ir embora. Você não tem pra onde ir. Você não tem dinheiro. Não tem recursos.

Ela me olhou como se eu fosse idiota.

— A gente nunca te deu nada — continuou. — Nenhuma conta em banco. Nenhum cartão de crédito. Você está aqui há seis meses e nem carro você tem. Pra onde você vai? O que você vai fazer?

Dessa vez, o meu sorriso foi de verdadeira diversão.

— Eu sei — respondi. — Por isso eu fiz meus próprios planos.

A expressão no rosto dela não teve preço.

Virei e fui em direção à escada.

Atrás de mim, ouvi a voz de Viviana subir de tom. Quase histérica agora:

— Ela não aguenta três dias. Vai voltar rastejando, implorando pra casar com o Adrian. Ela não tem nada. Nada!

Ouvi o murmúrio grave de Sal:

— Deixa ela ir. Ela vai aprender.

Subi as escadas devagar. Deixei que pensassem que eu estava cometendo o maior erro da minha vida.

Eles não faziam ideia.

Desde o dia em que eu decidi voltar pra Nova York, eu vinha me preparando. O apartamento em Manhattan já estava comprado. Pago à vista. Em um nome que eles nunca seriam capazes de rastrear.

Eu tinha aprendido há muito tempo que você nunca, nunca depende de pessoas que podem tirar tudo de você.

Arrumei minha mochila de viagem no meu quartinho de empregada. Vinte minutos.

Quando saí daquela mansão com a mochila nas costas e a bolsa de viagem na mão, me senti mais leve do que me sentira em meses.

Fiquei parada na calçada e peguei o celular. Eu tinha um problema pra resolver antes de qualquer outra coisa. O pai do meu bebê.

Damon Wolfe.

O homem mais temido de Nova York. O rei do submundo. O homem que, supostamente, nunca tocava em mulheres.

Exceto que ele tinha tocado em mim. Um mês atrás, no Hotel Champlain. Uma noite que nenhum dos dois tinha planejado.

Disquei o número dele. Ele atendeu no segundo toque.

— Quem é?

A voz dele era grave e fria. Eu só tinha ouvido aquela voz uma vez, naquele quarto de hotel, e na época ela tinha soado bem diferente.

— Você se lembra do que aconteceu no Hotel Champlain há um mês? — perguntei. — A gente precisa conversar.

Houve uma pausa.

— Me encontra no meu escritório em uma hora — continuei. — Wolfe Global Enterprises. Último andar.

— Meu nome é Scarlett Romano — falei. — Diz pra sua segurança me deixar passar. Se você me fizer esperar, vai se arrepender.

Desliguei antes que ele pudesse responder.

Chamei um táxi e passei o endereço da Wolfe Global Enterprises, em Manhattan, pro motorista.

Era hora de contar pro Damon Wolfe que ele ia ser pai.

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