A Luna Que Salvou Seu Alfa

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Capítulo 5

POV da Eileen

Última vida. Mesma noite.

Meu celular tinha vibrado com a mensagem da Violet, e eu tinha agarrado o aparelho como se fosse uma boia salva-vidas. Porque eu estava apavorada. Porque a marca do Silas no meu pescoço tinha parecido uma queimadura, uma posse, uma corrente da qual eu nunca ia escapar.

Eu respondi na hora: “Foi horrível. Eu não consigo fazer isso.”

A resposta dela veio rápido: “O Derek tá perguntando de você a noite inteira. Ele disse que, se você não quiser ficar aí, ele pode ir te buscar...”

Meu coração deu um salto. Derek. O Derek doce e atencioso, que tinha segurado minha mão na cafeteria no mês passado e me dito que eu merecia coisa melhor do que um casamento arranjado com um Alfa moribundo.

“Sério?” eu digitei, os dedos voando.

“Ele gosta de você de verdade, Eileen. Não como aquele Alfa amaldiçoado que só casou com você por causa do contrato entre as nossas famílias...”

Eu acreditei. Meu Deus, eu realmente acreditei.

Abri os olhos, e minha visão se embaralhou com lágrimas de pura humilhação.

Porque eu sabia o que vinha depois. Eu sabia cada maldito detalhe.

Eu tinha me esgueirado para fora da mansão naquela noite. Tinha escalado a janela do meu quarto como uma adolescente idiota e corrido pela mata para encontrar o Derek na igreja abandonada na saída de Elk River.

E quando eu cheguei lá? Quando finalmente vi ele esperando ao luar?

Ele nem me beijou.

Só segurou a minha mão — de leve, mal encostando, como se eu fosse feita de vidro — e despejou as frases mais patéticas que eu já tinha ouvido.

“Eileen, eu vou esperar por você. Esperar até você conseguir escapar daquele pobre aleijado...”

“Você merece alguém melhor.”

“Eu sei que você foi obrigada a casar com o Keaton. Quando for a hora certa, eu vou tirar você daqui, de tudo isso.”

E eu chorei. Chorei mesmo, de gratidão, enquanto ele fazia carinho no meu cabelo e sussurrava promessas vazias.

“Eu vou dar um jeito de ir embora dele”, eu disse, entre lágrimas. “Eu prometo.”

Não aconteceu mais nada. Nenhum beijo. Nenhum abraço. Só a mão dele, frouxa, segurando a minha, e aquelas palavras imprestáveis.

Mas tinha sido o bastante. O bastante para selar o meu destino.

“Como eu pude ser tão burra?”, eu sussurrei.

Meu celular vibrou de novo. Outra mensagem da Violet.

Eu ergui o olhar para o caminho por onde Silas e Gavin tinham sumido.

Eu precisava fazer alguma coisa que realmente mudasse as coisas desta vez.

Peguei o celular e desliguei sem ler a segunda mensagem da Violet. Depois juntei os mantos cerimoniais e comecei a correr.

Eu tinha que alcançar o Silas. Tinha que garantir que ele entendesse que eu não ia a lugar nenhum.

O prédio principal se erguia à frente, as janelas brilhando com uma luz quente. Eu conseguia ver a silhueta do Gavin perto da entrada, ainda ajudando o Silas a vencer os degraus.

“Espera!” A palavra explodiu da minha boca antes que eu conseguisse impedir.

Os dois se viraram. Gavin pareceu surpreso.

— Eu… — Eu parei atrapalhada na frente dos dois, ofegante. — Eu quero ajudar você a chegar até o seu quarto.

A expressão de Silas não mudou. Aqueles olhos cinza-prateados apenas me analisaram com a mesma intensidade indecifrável.

— Não precisa — ele disse, baixo. — O Gavin pode…

— Eu sou a sua Luna. — As palavras saíram mais ferozes do que eu pretendia. — É minha responsabilidade.

Algo cintilou no olhar dele. Surpresa, talvez. Ou desconfiança.

Gavin pigarreou.

— Se o Alfa Keaton não se opuser…

Silas continuava me encarando. Como se estivesse tentando entender que jogo eu estava fazendo. Que intenção eu tinha.

Eu sustentei o olhar dele, deixando que ele visse tudo. A determinação. A culpa. A necessidade desesperada de consertar aquilo.

Por fim, ele fez um pequeno aceno com a cabeça.

Gavin deu um passo para trás, e eu avancei para tomar o lugar dele atrás da cadeira de rodas. Minhas mãos ainda tremiam quando segurei as manoplas.

— Obrigada — eu sussurrei.

Silas não respondeu.

O corredor ficou em silêncio, exceto pelo som suave das rodas da cadeira de rodas no assoalho de madeira. Eu me concentrei em empurrar com firmeza, em não bater em nenhuma das mesas antigas nem nos vasos caros alinhados pelas paredes.

Mas, acima de tudo, eu me concentrei em Silas.

No jeito como a luz pegava no cabelo preto dele. No porte rígido dos ombros. No fato de ele não ter dito uma única palavra desde que entramos no prédio.

Chegamos à porta do quarto dele — uma coisa pesada de carvalho, com dobradiças de ferro que pareciam pertencer a um castelo. Eu parei a cadeira de rodas e me movi para abri-la, mas Silas falou antes que eu pudesse.

— Você já pode ir.

A voz dele era plana. Desdenhosa.

Eu balancei a cabeça.

— Eu quero entrar. Eu quero cuidar de você.

— Se você está fazendo isso por causa do contrato com a sua família… — A mandíbula dele se contraiu. — Não é necessário. A Matilha Keaton vai honrar nosso acordo. Os recursos que prometemos não vão ser retidos.

— Não é por isso que eu estou aqui — eu disse.

— Então por quê? — Ele girou a cadeira de rodas para ficar de frente para mim, e o movimento foi brusco. Irritado. — O que você quer, Eileen?

— Eu aceitei a sua marca por um motivo — eu disse, em voz baixa.

Os olhos dele se estreitaram.

— Que motivo?

— Para curar você. — As palavras saíram firmes apesar do meu coração disparado. — Para quebrar a maldição.

Silas ficou completamente imóvel. Até a respiração dele pareceu parar.

— Você sabe que a minha família é de bruxas — eu continuei depressa. — Mas o que você talvez não saiba é que a linhagem Nightveil — a linhagem da minha mãe — tinha dons especiais. Dons de cura.

— Tinha — Silas repetiu, a voz cortante. — No passado.

— A maioria se foi, sim. Mas não todos. — Eu encarei o olhar dele sem desviar. — O poder de cada bruxa é diferente agora. E o meu… o meu é cura.

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