A Esposa que Ele Nunca Tocou

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Capítulo 6: O acordo de divórcio já está a caminho

(Ponto de vista de Sophia)

O amanhecer chegou. Eu não tinha dormido a noite inteira; meus olhos estavam injetados de sangue.

Levantei do chão, empurrei a mala já arrumada para o fundo do closet, depois fui ao banheiro e joguei água fria no rosto.

Três anos. Meu coração estava morto, e era hora de eu ir embora.

Troquei de roupa e desci. A sala de estar estava vazia, e a porta do quarto de hóspedes no andar de baixo ainda estava fechada.

Entrei na cozinha, servi um copo d’água e então me sentei na sala de jantar, esperando em silêncio.

Eu não sabia o que estava esperando. Talvez eu só quisesse dar a este casamento um último resquício de dignidade.

Depois do que pareceu uma eternidade, a porta do quarto de hóspedes finalmente se abriu.

Ella saiu usando o vestido caro de ontem, o cabelo um pouco bagunçado, mas o rosto com um brilho de satisfação, levemente corado.

Quando me viu sentada na sala de jantar, ela congelou por um instante e, em seguida, curvou os lábios num sorriso de vitória.

— Sophia, bom dia. Não dormi bem ontem à noite, não estou acostumada com a cama. — Ela fez questão de enfatizar, como se estivesse exibindo alguma coisa.

Ergui o olhar, e meus olhos foram para o pescoço dela.

Ali, uma marca vermelha tênue.

Então era por isso. Ele não voltou para o quarto ontem à noite por causa disso.

Fechei os olhos devagar e, quando os abri de novo, só restava frieza.

— Você já terminou? — perguntei.

Ella se sobressaltou com o meu olhar, mas logo recuperou aquela expressão presunçosa.

— Terminei. Sophia, sugiro que você encare a realidade o quanto antes. Daniel me ama. Não adianta você ficar se agarrando ao posto de Sra. Cooper.

Dito isso, ela rebolou e saiu desfilando.

Fiquei sozinha na sala de jantar vazia até a água no meu copo ficar completamente fria; então peguei o celular e liguei para o advogado.

— Os papéis do divórcio... já estão prontos?

Quando Daniel terminou de resolver os assuntos da empresa e voltou para a mansão, já era noite.

Ele empurrou a porta para abrir. A casa estava em breu, sem nenhuma luz acesa.

— Sophia? — ele chamou. Sem resposta.

Ouvi a voz dele e saí da sala de jantar, parando no corredor, olhando para ele.

Irritado, ele afrouxou a gravata e acendeu a luz da sala com um gesto displicente.

No instante em que a luz acendeu, os olhos dele foram atraídos por alguma coisa no sofá.

Uma gravata masculina. Listras azul-escuras, não era da marca dele, definitivamente não fazia o estilo dele.

Estava apenas largada sobre o braço do sofá.

A expressão de Daniel mudou na hora. Em poucos passos, ele avançou, pegou a gravata e a apertou com força na mão, as veias saltando no dorso.

— Sophia! — Ele se virou para me fitar, a fúria nos olhos quase queimando. — O que é isso?!

Olhei para a gravata na mão dele e franzi de leve a testa.

Eu nunca tinha visto aquela gravata antes.

Mas eu não estava nem aí para explicar.

“Você voltou”, eu disse, com um tom tão indiferente quanto o de quem cumprimenta um estranho.

“Eu te perguntei o que é isso!” Ele atirou a gravata em mim com raiva.

A gravata caiu no chão aos meus pés. Olhei para baixo, sem expressão.

“Sophia, você tem uma cara de pau!” Ele veio na minha direção, passo a passo, a voz transbordando fúria. “O quê? Já arrumou um reserva? Não é à toa que agora você ousa retrucar! Quem é ele?!”

A acusação dele foi como um tapa na minha cara.

Eu olhei para ele. Para esse homem que eu amei por dez anos, a quem dediquei três anos.

Então era isso que eu era aos olhos dele.

Só senti uma onda de tristeza.

Eu nem tinha vontade de explicar. Para quê explicar?

Não adiantava.

De repente, eu ri. Um riso meio amargo.

Ergui o olhar, encarando diretamente os olhos dele, furiosos, e disse, palavra por palavra: “O quê? Você pode reservar quarto de hotel com o seu primeiro amor, deixar ela dormir em casa, mas eu não posso ter alguém por fora?”

“Você!” Minhas palavras o enfureceram de vez. Ele esticou a mão e agarrou meu pulso com força, como se fosse esmagar meus ossos. Bem no lugar em que eu tinha machucado ontem.

Um machucado em cima do outro; a dor fez meu rosto empalidecer na hora.

Mas eu nem franzi a testa; apenas o encarei friamente e repeti: “Eu disse que tenho outra pessoa. E daí?”

“Você tá pedindo!”

Ele levantou a mão.

O tapa não desceu.

“Sophia, estou te avisando: termina com esse homem agora mesmo!”, ele disse entre os dentes. “Enquanto você for a senhora Cooper, nem pense em me trair! Se você ousar afetar o preço das ações do Grupo Cooper, eu vou fazer você e esse homem se arrependerem!”

As palavras dele, cada uma, estavam cheias de insultos e ameaças.

Meu coração já tinha adormecido de tanta dor.

Eu esfreguei o pulso, que já estava roxo por causa do aperto, e ergui o olhar com calma.

“Daniel”, eu o encarei, a voz não alta, mas excepcionalmente clara, “vamos nos divorciar.”

O ar pareceu congelar naquele instante.

Ele ficou atônito, como se achasse que tinha ouvido errado.

Divórcio?

“Divórcio?” Ele deu uma risada fria. “Sophia, você enlouqueceu?”

Ele deu um passo à frente, me olhando de cima, num tom cheio de controle arrogante.

“Vou te dizer uma coisa: esquece. Quem decide quando esse casamento acaba sou eu.”

“Você acha que, se me deixar, ainda vai poder viver como a esposa rica que é agora? Sem a família Cooper, você não é nada.”

Ele tinha certeza de que eu estava só fazendo birra. Certeza de que eu não conseguia deixá-lo, não conseguia abrir mão do dinheiro da família Cooper.

Por isso ele era tão arrogante.

“Guarda essas ideias impróprias”, ele disparou friamente, virando-se para a escada. “Só se comporte como a senhora Cooper e pare de me dar dor de cabeça.”

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