A Companheira Proibida do Rei Alfa

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Capítulo 1 Desgosto

~Hazel~

Puxei o ar de um jeito curto e afiado, tentando acalmar a dor lá no fundo do meu coração, mas... eu ainda conseguia senti-la, tão profunda, sufocante, impossível de ignorar.

— Hazel! Por favor, abre a porta. Por favor... me dá uma chance de explicar.

A voz rouca dele cortou o silêncio assim que eu saí do banheiro.

Parei onde estava e fechei os olhos, depois inspirei fundo. Meu coração se retorceu dentro do peito, como se alguém o estivesse atravessando com um punhal de prata de dois gumes, e começou a ficar difícil respirar.

A voz que antes fazia meu corpo inteiro formigar, doce, agora não trazia nada além de dor.

— Hazel... — Ele bateu de novo na porta, desta vez mais forte que antes, a voz tensa e suplicante.

‘Eu preciso encarar isso. Me esconder ou evitar ele não vai ajudar em nada’, eu me incentivei.

Caminhei até a porta e abri, porque eu sabia que ele não ia parar de bater. Vi alívio nos olhos azul-oceano dele assim que a fechadura fez clique. O cabelo preto, bem preto, estava todo bagunçado; ele parecia tão preocupado e com medo. Eu nem lembrava quando tinha sido a última vez que o vi daquele jeito.

— Hazel... graças a Deus. Eu fiquei apavorado quando o Matteo me contou que você saiu da cerimônia sem dizer pra ele pra onde ia.

Ele confessou, enquanto me envolvia com os braços, apertando meu corpo contra o dele. Fechei os olhos, e uma lágrima solitária escorreu do meu olho esquerdo. Era quente nos braços dele. Eu levantei a mão para abraçá-lo de volta, mas ela ficou suspensa no ar.

Eu não consegui. Minha mão caiu de novo ao lado do corpo.

— Por favor, me solta! — eu pedi, com a voz fraca. Eu queria ficar mais um pouco naquele abraço quente. Mas não parecia mais um lugar seguro para mim.

— Não. Não tem a menor chance de eu te soltar, Hazel. Você é minha. — Ele falou, possessivo, e o aperto em volta de mim ficou mais forte.

Eu me desvencilhei do abraço quente e ele me soltou. Dei um passo para trás, criando distância entre nós, e enxuguei as lágrimas com as costas da mão. Eu não me sentia segura perto dele — não mais.

— O que você quer que a gente converse, se está tudo tão claro? — eu perguntei.

— Por favor, não fala isso, Hazel. — Ele pegou minhas mãos e apertou de leve, a voz quase um sussurro.

— A gente não fez nada, eu juro. Eu consegui lutar contra o que eu sentia por ela. — Ele me encarou, esperando que eu acreditasse nele.

— Isso não muda o fato de que você foi até ela, Sebastian. Eu vi nos seus olhos quando você sentiu o cheiro dela, Seb. Você parecia outra pessoa... você nunca olhou pra mim daquele jeito desde que a gente começou a namorar. Você olhava como se alguém tivesse te enfeitiçado. Ela era a única coisa que importava.

Parei para recuperar o fôlego; as lágrimas desceram pelo meu rosto quando as imagens passaram de novo na minha cabeça.

Era difícil segurar o choro. Eu queria ser forte. Fingir que não doía tanto, fingir que não tinha partido meu coração em um milhão de pedacinhos.

Mas... era demais pra mim. Todos os anos que passamos juntos, todas as lembranças que construímos, todas as promessas que ele me fez — tudo se quebrou.

Era simplesmente demais pra eu esquecer e deixar pra lá. Sebastian abaixou a cabeça, envergonhado.

— Como você quer que eu esqueça tudo e finja que nada aconteceu? — eu perguntei, e ele não respondeu.

“Eu vi o efeito que ela teve em você, Sebastian. É difícil fingir. Eu não consigo. Seu coração não bate só por mim; ele bate por ela também. Como você espera que eu me sinta?” Limpei as lágrimas dos meus olhos.

“Você não fez nem um esforço mínimo pra lutar por nós, Seb. Você prometeu que ia correr o risco de parecer fraco e rejeitar a sua destinada se ela um dia ficasse entre a gente. Mas o que você fez? Você foi até ela e ficou aos beijos. Eu senti cada segundo, e doeu demais”, eu disse, e ele continuou calado.

“Foi como se alguém estivesse apertando meu coração até virar uma bolinha, e ficou difícil pra mim respirar.” Eu gesticulei enquanto explicava, na esperança de que ele entendesse como eu me senti enquanto ele estava ocupado beijando a própria destinada.

“Mas eu tentei, Hazel”, ele disse com a voz fraca, e os olhos dele estavam marejados, como se ele estivesse prestes a desabar.

“Hoje era pra ser o nosso sexto aniversário de casamento, mas eu escolhi te acompanhar na cerimônia anual. E o que você fez? Você nem teve a decência de se controlar quando percebeu que a sua destinada estava por perto. Era pedir demais?” perguntei, olhando bem nos olhos dele, e ele desviou o olhar.

“Me desculpa por te decepcionar, Hazel. Me desculpa. A gente não foi até o fim. Eu lutei contra o meu lobo. Eu lutei contra o Knight, e ele se curvou diante de mim”, ele disse, e uma única lágrima escorreu dos olhos dele.

Ele passou a mão pelos cabelos negros como a noite, jogando-os pra trás, e segurou com força, enquanto um suspiro frustrado escapava dos lábios dele.

“Talvez você tenha conseguido controlar o Knight desta vez, mas e na próxima? Você prometeu que nunca ia tocar em outra mulher, Sebastian. Acho que eu fui ingênua demais por acreditar em você.” Eu parei e soltei um suspiro, porque as palavras eram amargas na minha garganta e na minha língua.

“Ela tem muito mais controle sobre você do que eu. Eu não quero continuar me iludindo.” O canto dos meus lábios se curvou num sorriso amargo. Seb não disse nada; ele só olhou pro lado, porque sabia que eu estava falando a verdade.

Virando devagar, eu voltei pro quarto.

Como eu vou esquecer tudo e simplesmente deixar pra lá? O destino não me deu tempo pra preparar a minha cabeça. Eu preciso começar a me preparar agora, porque ele vai me derrubar quando a hora chegar.

“Por favor... Hazel, não faz isso comigo. Eu te amo tanto.” Ele correu até mim assim que eu me virei e comecei a me afastar dele. Ele envolveu minha cintura fina com os braços fortes, apertando com força, como se tivesse medo de eu desaparecer no ar.

“Por favor, não vai embora, porque eu não sei o que fazer sem você. Me desculpa pelo que aconteceu na cerimônia.” Ele pressionou os lábios no meu ombro.

“Eu não queria ir até ela. Eu queria continuar dançando com você na pista. Mas... o cheiro estava forte demais. Me desculpa por eu não ter sido forte o bastante pra resistir. Eu prometo que, da próxima vez, eu vou me manter firme. Eu vou lutar por nós.”

O aperto dele no meu corpo aumentou. Ele enterrou o rosto no meu pescoço e puxou meu cheiro pro fundo dos pulmões, como se quisesse gravar de novo como eu era.

“Por favor...”, ele implorou, e eu consegui sentir arrependimento, dor, medo e preocupação na voz dele. O hálito quente dele roçou meu pescoço, e eu lutei contra a vontade de inclinar a cabeça pro lado e dar a ele acesso total.

Aquilo me lembrou de tantas vezes em que ele fez isso. Ele aparecia na cozinha quando eu estava ocupada cozinhando e me abraçava por trás, apertando forte.

Eu fechei os olhos e respirei fundo. Eu queria que todas as memórias felizes que a gente compartilhou tomassem conta da minha mente. Mas, em vez disso, foi o que aconteceu na cerimônia anual que dominou meus pensamentos.

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