A Cativa Desejada pelos Herdeiros

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Capítulo 5 Capítulo 5

Cayenne, assustada e confusa, respondeu com a voz baixa.

— Eu aceito, mas eu não sei o que isso significa... ser amiga.

Ela olhou para o chão, com vergonha de sua ignorância. Então, voltou às tarefas e disse:

— Eu preciso terminar o meu serviço. Ela vai acordar e...

Renzo a interrompeu, sorrindo a achando bobinha.

— Não, ela não vai.

— A velha tem um sono pesado, e o remédio que ela toma para dormir a deixa desmaiada a noite inteira.

Ele se aproximou curioso.

— Eu quero conversar um pouco. Quero andar por ai com você. Quero saber tudo sobre a menina que minha avó esconde. Onde você mora?

Cayenne, dominada pelo medo e pela confusão, ignorou Renzo. Ela continuou limpando a casa, foi para a cozinha, começou lavar a louça em silêncio.

Ele não desistiu. Andava atrás dela como uma sombra, fazendo perguntas incessantemente.

— Quantos anos você tem?

— Qual é o seu nome, de verdade?

— Onde você morava antes de vir para cá? Desde quando você trabalha aqui?

Ela continuou em silêncio, concentrada em suas tarefas. Cada pergunta era um motivo, pra ela temer, um lembrete de sua vida invisível e das punições que a aguardavam caso ela desobedecesse. O medo da patroa era maior que a curiosidade de conversar com ele. ela não sabia mas tinha vinte anos e ele dezoito.

As vezes ela o olhava, alguns instantes, reparando na beleza dele, loiro, alto, olhos azuis, estava vestindo shorts de pijama e camiseta regata, ele era lindo.

Cayenne, com a voz embargada pelo medo, finalmente se virou para Renzo. Falou muito emotiva.

— Eu não sei responder a essas coisas. Ninguém pode saber que eu estou aqui. Ninguém. Por favor, prometa que não vai contar a ninguém que me viu. Por favor.

Renzo, com seu jeito volátil e curioso, achou a situação estranha e, em vez de se afastar, soltou uma risada, falou intrigado.

— Responde o que souber.

O mistério em torno de Cayenne só o deixou mais animado. Ele não parou de segui-la, andando de um lado para o outro enquanto ela terminava de limpar a casa. As horas se passaram, e ele continuava a fazer perguntas que ela ignorava.

Quando ela finalmente terminou as tarefas, ele se aproximou com uma proposta.

— Você quer passear lá fora?

Cayenne, assustada com a proposta, respondeu com a voz trêmula:

— Não posso. Eu serei castigada, e a culpa será sua.

A menção ao castigo fez Renzo franzir a testa, com a curiosidade dando lugar à preocupação.

— A minha avó bateu em você? Foi ela que fez essas marcas?

Ela respondeu envergonhada.

— Sim, mas a culpa foi minha. Eu desobedeci.

— O que você fez de tão grave para apanhar assim? — perguntou ele, com o tom mais sério.

— Eu roubei um colar. Com um arroz dentro. E um nome. — Ela respondeu, olhando para o chão envergonhada.

O coração de Renzo acelerou. Ele sabia de qual colar ela estava falando. Respondeu com pena dela.

— Aquele colar era meu. Tinha o meu nome dentro.

Cayenne, confusa, levantou o olhar.

— Qual o seu nome? Eu não sei ler...

Renzo, surpreso, arregalou os olhos. Notando a ignorância dela sobre algo tão simples, isso o chocou profundamente. Ele a olhou, percebendo que a situação era muito mais complexa e triste do que ele imaginava.

— Meu nome é Renzo. — ele respondeu, com um misto de surpresa e deboche.

— Aquele colar era meu. Eu esqueci aqui, quando vim no velório do meu avô.

Ela disse, com a voz baixa:

— Eu me chamo Cayenne.

— Como uma rosa.

— Vou devolver seu colar. Desculpa.

A confissão dela, tão simples e inocente, fez Renzo se sentir culpado. Ele então decidiu contar a verdade sobre sua presença ali, na esperança de criar um laço de confiança.

— Eu vou morar aqui por um tempo, de castigo. — ele começou.

— Peguei o carro do meu pai escondido, fui pra uma balada, fiquei bebaço e bati o carro.

Cayenne o olhou, confusa. A linguagem dele era um enigma.

— O que é balada e bebaço? O que significa? — ela perguntou, sem entender.

Renzo começou a rir, debochado, achando a pergunta ridícula.

— Você não sabe? Nossa, que lesada! Balada é festa, é onde a gente vai pra curtir, dançar, beber...

O sorriso dela era um misto de inocência e curiosidade. Ela respondeu.

— Ahhh, sim. Você é adulto, então, para dirigir?

Renzo não se conteve e começou a rir de novo, achando-a incrivelmente boba e ingênua. A diferença entre os dois mundos era imensa, e a ignorância de Cayenne sobre o mundo externo só o deixava mais intrigado.

Renzo, ainda rindo da ingenuidade dela, respondeu com a voz carregada de vaidade:

— Sou! Tenho vinte anos, e você? Me fala mais de você, quero te conhecer melhor. Quero ser seu amigo.

Cayenne, com sua inocência e falta de conhecimento do mundo, olhou para ele, assustada e ao mesmo tempo intrigada. Ela, com seu mundo limitado aos arredores da fazenda, não conseguia entender a vida que ele descrevia.

Ele, por sua vez, não conseguia entender a ignorância e a pureza dela.

Cayenne, com a voz baixa e envergonhada, disse:

— Eu não sei quantos anos tenho, mas sou jovem, muito jovem. A Dona Egilda diz que sou bur.ra .

Renzo, intrigado, olhou para ela e, com a malícia, disparou apontando na direção dela:

— se fosse não teria pe.itos.

Cayenne, confusa, olhou para si mesma, sem entender.

— O que são peitos? Eu não sei quando serei adulta.

Ele debochado, apontou para o decote do vestido dela.

— Isso aí, seus peitos. Mulheres têm. Crianças, não.

A inocência de Cayenne era quase cômica. Ela olhou para os próprios se.ios, surpresa com a "descoberta".

— Ahhh... se.ios? Faz tempo que cresceram! São redondos, né?

A malícia de Renzo atingiu um novo patamar. Ele se aproximou um pouco, com um sorriso cínico no rosto.

— Posso ver? Pra saber se você é muito adulta ou pouco?

Cayenne, sem nunca ter sido instruída sobre nada daquilo, puxou o decote do vestido, mostrando seus s.eios firmes, redondinhos, com ma.milos escuros.

— Consegue saber se eu sou muito ou pouco adulta? — perguntou ela, com a inocência estampada no rosto.

Renzo começou a rir, incrédulo.

— Uau! Nossa, eu nunca vi s.eios dessa cor, pret.os. Olha, eu ainda não sei se você é ou não adulta. Preciso ver tudo, porque o corpo da mulher muda. Mas tem que ser em outro lugar.

— Se eu te ver sem nada de roupa, vou saber.

Um mal pressentimento surgiu em Cayenne. Ela sentiu que algo estava errado, falou pensativa.

— Deixa pra lá, eu preciso terminar tudo aqui. Vai embora, a Dona Egilda vai me castigar.

Ele, percebendo o medo dela, sorriu de forma maliciosa.

— Eu vou deitar, para não te causar problemas. Mas agora você é minha melhor amiga, e isso é um segredo só nosso.

— Você tem muitas amigas? — perguntou ela, com a voz cheia de curiosidade.

— Eu nunca tive nenhuma.

— Algumas. — ele respondeu.

— Mas agora só você será a minha preferida.

Cayenne sorriu, contente, sem perceber a malícia por trás das palavras dele. Renzo, vendo a ingenuidade dela, percebeu a oportunidade perfeita para tirar vantagem da situação. Ele a via não como uma amiga, mas como um brinquedo que ele poderia manipular, para sair do tédio.

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