A Babá Perfeita

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Capítulo 6 Capítulo 6

O único sonho de Mia, no momento, é terminar a faculdade de medicina, mas a única forma de isso se concretizar é ela ter um trabalho fixo que dure o bastante para poder pagar os anos que ainda faltavam para se formar. Infelizmente, isso vinha sendo cada dia mais difícil ultimamente; mais especificamente desde que foi despedida á pouco mais de três meses. O único motivo de ainda não ter sido expulsa do campus, era pelo simples fato de que sua melhor amiga pagava sua mensalidade, mesmo que tivesse dito várias vezes de que não precisava — apesar de que sim, precisava —; se não fosse por ela, estaria sem sua casa e sem seu curso amado, e por isso precisava de um bom emprego para poder tirar esse peso das costas da loira de olhos azuis. 

A rosada conheceu a melhor amiga no jardim de infância, e desde então, ela esteve sempre consigo, principalmente no dia em que perdeu sua mãe; para ela, havia sido um dia catastrófico, pois também havia descoberto que a mãe de sua prima, Aurora Devlin, havia sofrido um acidente e que por pouco não falece também. Não tinha muito contato com os primos, por seu pai não se dar muito bem com Oscar Devlin, o pai das crianças e o homem que se casou com duas de suas tias, primas de sua mãe; primeiro, Hanna, que havia falecido depois de tentar combater o câncer e em seguida, quase três anos depois, com Haley, a irmã gêmea da outra, que havia ficado na cidade apenas para ajudá-lo com as crianças, e que logo se viu completamente apaixonada por seu próprio cunhado. 

Quem poderia imaginar que ele se sentiria da mesma forma e alguns meses depois, a pediria em casamento? 

Foi um choque para a família. 

Ela se lembrava de seu pai fazer comentários inoportunos sobre aquela história. Ele julgou seu tio até a alma, e ela só conseguia se lembrar, porque...

Bem, ela não sabia o motivo, mas algumas coisas aconteciam porque aconteciam. Ela se lembrava de coisas que não deveria, outras, ela não conseguia se lembrar. Como por exemplo, de quando seus pais começaram a brigar e se tornar completos estranhos um para o outro. 

Naquele momento, Mia olhava todos os aplicativos de emprego, a fim de encontrar o ideal que a faria sair do buraco; quase literalmente. Estava se sentindo envergonhada por deixar a amiga pagar sua faculdade e o condomínio onde morava, que era o mesmo no qual ela também morava, e mesmo assim, não podia dizer que não estava precisada, principalmente por estar desempregada há três meses e dezesseis dias. 

Trabalhava em uma empresa de advocacia, mas seu chefe passou a ser completamente inconveniente, e quando deu a ideia de que a subiria de cargo contanto que ela se entregasse a ele, a rosada não se demorou em negar, xingá-lo de todas as maldiçoes possíveis e fugir daquele lugar; não voltou, mas recebeu uma carta de demissão no dia seguinte. E ela se sentiu triste por não poder pagar por suas contas, mas também aliviada por não ser perseguida pelo cafajeste. 

Desde que saiu de casa, tudo passou a desmoronar em sua cabeça; primeiro, seu pai lhe deu as costas e não confiou em si quando contou sobre o amante da mulherzinha na qual ele havia se casado, e depois, apenas alguns dias após conseguir sua casa no lindo condomínio perto de seu novo trabalho, seu noivo simplesmente terminou tudo, com a explicação de que precisava pensar em seu futuro e que por esse motivo, havia aceitado a bolsa de estudos em NY. 

E ela ficou feliz por ele, até saber sobre a piriguete que ele havia levado consigo. 

Samuel Callahan ainda estava em seus pensamentos, mas diferente de antes, agora tudo que Mia conseguia sentir por ele, era nojo, asco, mágoa e decepção, mas mais que tudo, sentia o alívio por ter descoberto a tempo, antes de se casar e acabar ser tachada de corna por todos os anos de casamento. 

Pensou que quando o pai soubesse sobre o que houve entre eles, que ele fosse procurá-la, para apoiá-la, mas ao invés disso ele viajou com a nojenta da esposa em uma segunda lua-de-mel; e Mia se perguntou como um pai era capaz de não se importar com bem-estar da própria filha. 

De repente se lembrou do homem que conheceu no dia anterior. 

Liam Kavanagh. 

Ele não era como as pessoas tachavam; pelo menos foi o que lhe pareceu. Estava realmente preocupado com os filhos, e parecia se divertir — apesar de não demonstrar — com as artimanhas das crianças. Viu o mesmo que via nos olhos de seu pai quando era pequena. E ela se sentiu emocionada por ver o amor que os olhos negros demonstravam aos filhos. 

Se lembrou do momento no qual esteve com ambas as crianças, já no táxi; apesar do garotinho estar com um olhar desconfiado, sua irmã parecia estar realmente encantada com a cor do seu cabelo, pela forma que olhava para ele; fixa, quase sem piscar. 

— Você é tão bonita. – A pequena comentou de repente. – Parece uma das minhas bonecas. 

— Obrigada, você também é muito linda. – Lhe sorriu. – Então, quando vão me dizer o nome de vocês? 

— Não sei se deveríamos. 

— Vamos lá, garoto, eu estou levando vocês até seu pai. 

O menino fez um biquinho, não tendo como contestar. 

— Meu nome é Mia. – Sorriu. – Tenho vinte e dois anos e juro que não sou uma má pessoa, ou não estaria cuidando da segurança de vocês agora. 

— É, pode ser. – Diz devagar, começando a acreditar na mulher.  

— Ela é legal. – Sussurrou para o irmão, que a olhou de forma incrédula.  

— O que mais tenho que dizer para poder descobrir o nome de ambos? 

— Meu nome é Natalie. Natalie Kavanagh. – O irmão a olhou de forma repreensiva, mas ela não se importou. – Tenho cinco anos, assim como meu irmão. Somos gêmeos. 

— Ela deve ter percebido isso. – Murmurou. 

— Sim, eu percebi, e também percebi o quanto é protetor com sua irmã.  

O menino a olhou no mesmo instante.  

— E eu te entendo completamente, faria o mesmo se tivesse no seu lugar. – Percebeu que o que disse o fez olhar com mais interesse. – Eu nunca tive irmãos, de sangue, mas tenho uma melhor amiga que praticamente cresceu comigo, e nós sempre protegemos uma à outra. 

— Você ainda a protege? 

A rosada sorriu ao ouvir a pergunta. 

— Ela me protege muito mais. – Diz de forma verdadeira. – Mas sim, eu a protejo. E você deve fazer o mesmo com sua irmãzinha.  

— Eu também, não é?  

— Claro, pequena, irmãos tem que se apoiar e cuidar um do outro sempre.   

Tocou nos cabelos negros da garotinha. E então, alguns segundos depois, pode ouvir a voz do marrentinho. 

— Meu nome é Thomas Kavanagh.  

— Thomas. Eu gosto desse nome.  

E então pode ver o menino sorrir ladino, apesar de ele ter virado o rosto. 

Eles eram fofos, e podia imaginar o orgulho do pai deles por ambos serem tão inteligentes. Sempre foi apaixonada por crianças, sempre quis ser mãe, desde muito nova, e estar na presença de pequenos tão inofensivos a deixava leve, feliz. Neles você podia confiar de olhos fechados, com eles, você não precisava de se preocupar com o perigo de eles destruírem seu coração, não de propósito, pelo menos.

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