Capítulo 5 Capítulo 5
A mansão de seus pais ficava em um condomínio a meia hora de onde morava; era o mesmo condomínio que os pais de seu melhor amigo moravam.
Não estava com pressa e por isso dirigiu calmamente, e nenhum pouco irritado, mesmo que tivesse pegado todos os sinais vermelhos; e isso era algo que ele tinha ranço, principalmente quando estava atrasado para algo importante.
As crianças jogavam em um joguinho do Ipad 6 que elas haviam ganhado no Natal passado. Colocou uma música para tocar bem baixinho, quando parou em outro sinal vermelho, o quarto; estava quase chegando à casa dos pais. Seus dedos tamborilavam no volante, no mesmo ritmo da música “Sugar – Marron Five”.
Não precisou esperar que entrassem em contato com seus pais, ao chegar ao condomínio; o deixaram entrar direto. Não se demorou em avisar as crianças sobre terem chegado, quando os portões de aço se abriram cada um para um lado. Reconheceu o carro de seu irmão assim que estacionou em frente à casa.
— O tio Killian já está aqui. – Thomas diz, já retirando o cinto que o prendia a cadeirinha.
— Estou com tantas saudades da vovó e do vovô.
O moreno mais velho sorriu.
— Eu tenho certeza de que ambos também sentem a falta de vocês.
Retirou ambos de dentro do carro e juntos seguiram até a porta, que já se encontrava aberta. Sua mãe Ivy apareceu em seu campo de visão no instante em que começou a subir dois dos quatro degraus que o levavam para o hall da porta.
— Meus netinhos.
Liam sorriu enquanto observava a mulher abraçar seus filhos, ao mesmo tempo, ouvindo seu garotinho reclamar que ela estava o amassando; não pode deixar de rir baixo ao se ver em um déjà-vu; quando pequeno, também reclamava dos abraços da mãe, apesar de correr sempre para os braços dela quando se machucava, se sentia triste, medo ou mesmo quando se metia em algum problema.
— Eu estava com saudades, tenho o direito de te amassar.
Liam riu mais alto dessa vez, fazendo com que a mulher o olhasse, antes de se colocar de pé e abraçá-lo.
— Como você está, querido?
— Estou bem.
— Parece cansado. – Pegou em seu rosto com ambas as mãos.
— Não se preocupe.
A mulher não respondeu, mas o mais novo entendeu que ela o faria assim mesmo, afinal, era seu papel de mãe.
— Ei, pestinhas.
— Tio Killian!
Correram para o homem de cabelos longos e negros, assim como seus olhos; ele se aproximava junto ao pai.
— Vovô, eu estava com tantas saudades. – A pequena garotinha abraçou o mais velho, que não só correspondeu, como a pegou no colo.
— Eu também estava, pequena. – Beijou seu rosto.
— E a Allison? – Liam perguntou ao sentir falta da cunhada.
— Está com Anna no andar de cima. – O irmão respondeu.
— A sua sobrinha chegou a menos de meia hora e já se machucou.
— Ela é como você, quando pequeno.
Ao ouvir o comentário do pai, Liam não pode deixar de lembrar quantas vezes se machucou quando tinha a idade de seus filhos. Seu pai dizia que ele tinha pelo menos dois hematomas arroxeados por dia, e era verdade, ele se lembrava bem disso. Já havia até mesmo quebrado o braço uma vez, ao subir em uma árvore, o que deixou a família inteira, em especial seus pais, desesperados.
— Minha filha podia ter puxado minha quietude ou a de minha esposa, que é ainda mais que eu, mas não, puxou a peste do meu irmão mais novo.
O outro o fuzilou com o olhar, enquanto ouvia os filhos rirem.
— Incrível que os gêmeos não são assim.
— Mas em compensação, meu pai, eles têm a mente maligna do pai deles.
— Liam Kavanagh, seus filhos estão no cômodo.
E ele realmente não se surpreendeu quando a mãe evitou que ele xingasse seu irmão mais velho antes mesmo de ele abrir a boca.
— Eu já estou sabendo o que fizeram.
— Eu também. – Ivy diz após o marido, colocando a mão na cintura, olhando nos olhos no neto. – Chiclete no cabelo da moça, Thomas?
— Ela foi má com a Naty. – Explicou rapidamente.
— Ela me chamou de fresca, vovó. – A garotinha contou.
— E gritou. – O irmão completou.
— Mas quem essa mulher pensa que é para tratar meus netos dessa forma? – Ivy que estava calma até pouco tempo, já se encontrava completamente indignada, com a feição furiosa, ainda com as mãos na cintura, e Andrew não se sentia diferente.
— Mas isso é um ultraje, filho.
— Eu sei, pai, e expliquei isso ao advogado, mas não tem provas de que ela realmente fez isso... – Olhou para os filhos. – Ao contrário do chiclete nos cabelos dela.
— Ela te processou?
— Eu sabia que viria outro processo. – Killian diz rindo.
— O último! – O pai das crianças exclama. – Esse será o último, certo?
— Pelo bem da Lilika sim.
Os outros não puderam deixar de rir ao ouvir a garotinha.
— Eu não vou prometer nada.
— Thomas. – O pai o repreendeu.
— Querido, você não pode ficar machucando suas babás.
— Mas elas merecem. – Retrucou, indignado.
— Quem tem que se resolver com elas, é seu pai, não você. – O avô diz firme, fazendo o menino fazer um biquinho e cruzar os braços.
— Olha, sobrinho, eu super te apoio em fazê-las pedir demissão, mas há outras formas. – Sorriu ladino. – E que não envolve chiclete, piscina e muito menos hamsters.
As crianças riram, se lembrando de cada plano que fizeram.
— Tio Liam.
Cada um dos que estavam em volta da família do Kavanagh mais novo, se virou, encontrando a filha mais velha de seu irmão mais velho, junto a sua mãe; a garotinha tinha longos cabelos castanho-claro e olhos escuros como os do pai. O moreno se abaixou para poder corresponder ao carinhoso abraço da pequena, que apertou os bracinhos em volta dele, antes de beijar seu rosto.
— Soube que já se machucou, gatinha.
— Só ralei o joelho. – Mostrou, puxando a barra do vestido. – Nem dói mais.
— Como foi que isso aconteceu, posso saber? – Perguntou enquanto via seus filhos abraçarem a tia, recebendo um beijo na bochecha.
— A Amora me empurrou no gramado.
— Já é a segunda vez que se machuca por culpa da Amora.
— E ela reclama quando nosso pai diz que vai doar o Rusk Siberiano.
— Ah, não, a Amora não. – Thomas diz ao ouvir o comentário do tio, vendo seu pai beijar o rosto de sua tia, cumprimentando-a.
— Ela é tão fofinha, vovô. – As meninas dizem juntas.
— Viu só? – Olhou para a esposa. – Por isso que eu não entrego essa cadela para outra pessoa cuidar.
— Depois diz que é a mamãe quem faz as vontades dos netos. – Sussurrou para o irmão que riu, concordando completamente.
A campainha tocou de repente, quase ao mesmo tempo em que as crianças pediam para brincar com Amora no jardim; elas desistiram quando a curiosidade bateu, e seguiram a avó até a porta.
Liam seguiu o pai, o irmão e a cunhada até a sala, quando ouviu o mais velho avisando a esposa sobre onde estariam. Se sentou em uma das poltronas, vendo seu pai se sentando na outra, a que tinha dois lugares, vendo também, seu irmão sentando-se ao lado da esposa, no sofá.
— Então, já conseguiu outra babá?
— O senhor acha que alguém terá coragem de trabalhar para mim novamente?
Killian gargalhou.
— É, seus filhos ficaram mal falados nas agências.
— E o pior é que eu não posso culpá-los pela demissão de todas, a maioria delas realmente não eram flor que se cheire.
— Eu lembro de dizer que não eram confiáveis.
— Lembro de você me dizer algo sobre a abusada que levantou a mão para minha filha, cunhada. Deveria ter te escutado.
— E agora, filho?
— Eu preciso de um milagre.
Os passos que se aproximavam chamaram a atenção dos outros quatro, o que os fez se virar e encontrar as três crianças e Ivy junto ao convidado.
— Ryan? – Sua voz demonstrou toda sua surpresa.
— Ei, irmão. – Sorriu. – Estava procurando por você, e soube por meu filho mais velho que estaria aqui. – Olhou para os outros. – Como vão?
— Vamos bem, Ryan. – Dizem praticamente juntos.
— Mas estou curioso, sobre o que veio falar?
— Killian! – A esposa o repreendeu, mas ele deu de ombros.
— Então, cara, você já tem uma babá?
— Acabei de falar com minha família: eu preciso de um milagre.
— Bom, o milagre chegou.
Os outros franziram o cenho.
— Eu encontrei a babá perfeita.
— Você disse isso da última vez, e ela acabou gritando com meus filhos.
— Dessa vez não tem erro.
Thomas e Natalie se aproximaram, nenhum pouco felizes pelo padrinho ter encontrado uma nova babá; e só por esse motivo ainda estavam no cômodo junto aos adultos.
— E quem é essa mulher incrível? – Pergunta, revirando os olhos.
— Mia Lafferty. – Diz sorrindo de orelha a orelha, vendo o amigo e seus filhos ficarem surpresos e os outros, completamente curiosos.
