A Acompanhante - CEO

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Capítulo 4 4

Arthur Ribeiro

Desconfiado, era assim que me sentia. O Rangel enrolou para dizer em qual agência conseguiu a acompanhante. A mulher que iria comigo a esses jantares tinha que ser exuberante ao ponto de ludibriar o Vargas, deixar o homem tonto de tanta beleza. Não dava para ser apenas comível, tinha que abrir o apetite de todos que a olhassem. 

Depois da desconfiança, veio a irritação pelo atraso da "noiva". Sempre prezava pela pontualidade e odiava esperar. Com o meu assessor na linha, eu reclamava dos oito minutos de atraso da mulher.

— Senhor, cada minuto valerá a espera. Acabei de chamá-la no vídeo e a mulher está simplesmente estonteante...

Enquanto Rangel falava, o elevador abriu. Confesso que já não ouvia nada do que ele dizia, só conseguia olhar o rebolado sutil do quadril que vinha à minha frente.

— Rangel, a modelo, por um acaso, é uma irmãzinha de cor?

— Sim, ela é negra, como o senhor. Você não me deu restrições, só me disse que tinha que ser gata.

— Fica frio, cara, estou gostando do que estou vendo.

Desliguei o telefone e coloquei no blazer. Fiquei olhando o baita mulherão se aproximar. A roupa era um pouco comportada, contudo, só uma burca taparia o baita corpaço da mulher que vinha à minha frente. Como diziam os colombianos: és una noventa sesenta noventa… aqui chamávamos de gostosa, filha da puta mesmo.

Os olhos castanhos combinavam com o tom bronzeado natural da pele. Graúdos e expressivos, ela parou à minha frente com um olhar e postura empafiosa. 

— Boa noite! — Não era à toa que diziam que a grande defesa era o ataque, essa era a maneira de ela disfarçar o seu atraso. — Não vai abrir a porta, cavalheiro?

Eu não deixaria barato. 

— Boa noite! Nossa! Temos uma dama à moda antiga. Desculpe a minha falha, estou acostumado com as feministas dos tais direitos iguais, elas não ligam para esse tipo de tratamento.

Ela não respondeu e, assim que virou de costas, percebi que a roupa não era tão comportada assim. Meu olhar desceu por toda a nudez daquelas costas, passeei com as pupilas até chegar a uma pinta bem na curva da cintura, mas o decote seguia descendo até a lordose perfeita. Se tivesse mais um pouquinho de decote, eu conseguiria ver a entrada do corredor da alegria.

Abri a porta do carro, ela entrou e eu fechei em seguida. Assim que entrei no lado do motorista, dei partida. Voaria até o restaurante chinês Srº Lang. Odiava atrasos e faria de tudo para chegar no horário.

Não esperaria a lerdinha pôr o cinto, o tempo que entrei no carro já era para ela ter feito. Assustando a mulher, me debrucei sobre ela, puxando a fita larga e de tecido grosso. O cheiro dela era bom, aliás, era muito bom. 

Assustada com minha atitude inesperada, ela se encolheu para trás ao máximo, quase se fundindo ao banco de couro claro, tentando evitar que eu a tocasse, mas era quase que impossível. Teve um roçar de pele, e se a piroca latejou dentro da minha calça, tinha certeza de que os bicos dos peitos dela estavam durinhos de tão arrepiados.

Encaixei o cinto de segurança, tinha que me apressar, agora não era a hora da putaria e, sim, do trabalho. Só depois do jantar, eu comeria essa piranha.

(...)

Yve de Paula

E eu que fiquei com medo de que o misógino me reconhecesse. Que tola! No dia da entrevista, ele só me olhou quando o xinguei de idiota. Além do mais, como Rob dizia, mesmo que ele estivesse exagerando, eu sempre estava fantasiada de Betty, a feia.

Fiquei assustada quando ele se debruçou em cima de mim. Estava pronta para lhe dar uma joelhada, depois percebi que ele apenas queria que eu colocasse o cinto.

"Não seria melhor ter me pedido?"

Assim que a sua pele roçou na minha e senti seu hálito quente sobre mim, meu corpo logo se alarmou em arrepios do ranço que eu sentia desse homem. Sorte que foi bem rápido, estava claro que ele tinha pressa. 

Arthur Ribeiro dirigia feito um louco. Concentrado no trânsito e totalmente calado, nem perguntou o meu nome. Mas que bom, ao menos eu não teria o desprazer de ouvi-lo. 

Ele chegou à entrada do restaurante. Ao parar, prontamente, um homem de terninho ficou esperando que Arthur desembarcasse. Iria meter a mão na maçaneta para descer, mas a voz do homem me impediu.

— O manobrista irá abrir para você assim que eu descer.

— Ah, ok, perdão! — Me desculpei — Não sabia.

— Lá dentro, apenas sorria e seja simpática. Evite falar o máximo possível. Nesse jantar, você é apenas uma peça a ser exibida, como já faz na sua profissão de modelo.

Meu Deus! Que idiota! 

— Tudo bem, o senhor é quem manda. — Mal sabia ele que estava me fazendo um favor. Provavelmente estaria rodeada de idiotas soberbos, então o melhor mesmo seria não interagir.

— Também não me chame de senhor. Você é bem diferente das modelos que me serviram de acompanhante, a maioria já chega parecendo ter intimidade comigo. Me chame pelo primeiro nome, Arthur.

— Ok, Arthur.

— E o seu, qual é?

— Paula. — O respondi e finalmente Arthur Ribeiro desceu do carro.

Como ele disse, o manobrista abriu a porta do carro e, assim, eu desci. Ajeitei o macacão que amassou um pouco, ele me deu o braço para entrarmos no restaurante e seguimos para o interior do estabelecimento.

(...)

Havia passado uma vez pelo lado de fora do restaurante Srº Lang, e tive a impressão de ser um lugar caro. Observando pelo lado de dentro, não era apenas um lugar caro, era um ambiente para magnatas. 

Todas as mesas em madeiras, com a aparência de novas, os assentos eram estofados, na cor bege e bem cuidados. A louça bem posta sobre a mesa era de vidro fino e porcelana vermelha.

Logo percebi quem seriam os executivos do jantar. A irmã esnobe do meu digníssimo chefe, Ziza Ribeiro, para a mídia, era a simpática bairrista, a relações públicas da Beleza Black, mas, na realidade, era uma chuta pobre, como a maioria dos ricos. O marido dela, cafetão, e mais um casal na mesa, que eu não fazia a menor ideia de quem fossem.

Assim que chegamos, fui apresentada a todos. O homem que eu não conhecia, se chamava Vargas, creio que fosse o antigo sócio da Beleza Black, tinha uma vaga lembrança desse nome. A mulher com ele, Sabine, era uma loira alta e linda, certamente uma acompanhante como eu. Sendo que ela com certeza não foi improvisada.

Vargas segurou minha mão por mais tempo do que os demais e beijou a parte de cima bem devagar. 

— Bela morena, Arthur! Dessa vez se superou.

— Sempre me supero. — O "Si Ou" convencido respondeu imediatamente.

— Morena não, negra, senhor, e com muito orgulho. — Com um sorriso nos lábios, corrigi o homem que não soltava a minha mão. 

— Gostei dela, irmão, tem personalidade, não é uma das samambaias que costuma trazer. — Pensei que fosse um elogio da Ziza, até ela continuar: — Essa deve ser outro tipo de planta, a carnívora.

— Amor!!! — foi repelida pelo próprio marido. 

— Para, Gil, só disse a verdade.

Tinha que ouvir tudo isso e ficar com cara de paisagem. Fazer o que, se estava sendo bem paga para ouvir tamanhas idiotices?

— Fica tranquila, irmãzinha, se a planta for comer algo, será meu, não seu. 

Por isso, não se preocupe. — Ziza ensaiou continuar a despejar sua antipatia, mas o irmão a cortou, trocando o assunto. — Vocês já pediram? — Enquanto com uma mão ele se apossava do cardápio, com a outra, desabotoou o terno.

— Não, irmãozinho — respondeu, debochada — Estávamos esperando você. Mas a maioria aqui quer comer uma coisa diferente.

— Por mim, tudo bem. Cada um pede o seu.

Eles estavam acostumados com esse restaurante. Rapidamente escolheram o que comer. Eu nunca pus e provavelmente não voltaria a pôr meus pés em um lugar como esse. O valor de um simples prato na carta, era um quarto do meu salário.

— Seja cavalheiro, Arthur, a moça precisa de ajuda. — Vargas se pronunciou.

— Acho um abuso ele, dentro do nosso país, pôr um cardápio em chinês com essas letras esquisitas. — Reclamou Ziza.

— Mas esse é o marketing deles, trazer a China para o Brasil. Até essa irritação que a senhora sente ao ver o cardápio em mandarim, te faz lembrar do Srº Lang.

Ziza entortou os olhos, como quem dizia: quem você pensa que é para me explicar sobre assuntos organizacionais?

— Bela e inteligente! Digo novamente, Arthur, dessa vez, se superou.

Essa situação estava ficando constrangedora para mim. Cada vez que o Vargas me elogiava, parecia depreciar a mulher que o acompanhava. Pelo visto, somente eu me importava com isso, pois Sabine não saía do celular e não estava nem aí para o que se passava à sua volta.

Arthur me olhava com a expressão fechada e sobrancelhas arqueadas. Eu sabia que tinha pedido para que eu ficasse calada, e estava tentando, mas havia coisas que saíam de forma natural, afinal, eu não era uma planta. Ele pegou o cardápio da minha mão, e abriu na mesa entre nós dois. 

— Olhe as figuras, são de pratos reais. Caso não se sinta segura, peça Yakisoba, é infalível. Na hora de pedir ao garçom, me chame, ou simplesmente mostre a figura a ele.

"Que amor ele era!"

Prepotente e arrogante, isso, sim. 

— Ok, obrigada! — falei falsamente.

Eles voltaram a conversar descontraídos, creio que a conversa sobre negócios seria somente após a sobremesa, para o jantar não descer indigesto.

Finalmente escolhi. Hora de experimentar o prato chinês mais famoso. E mostrar para eles como eu falava com o garçom. 

Levantei o dedo, logo o homem de olho rasgado se aproximou da mesa. 

Os executivos da Beleza Black conversavam, exceto o Vargas, que me comia com os olhos, e Sabine que estava no celular, os demais estavam entretidos na conversa, até eu começar a falar e eles voltarem sua atenção para mim.

—Wǎn'ān, fúwùyuán! Wǒ huì xuǎnzé chuántǒng de. Kǎoyā dào běijīng. Wǒ zhǐshì qǐng nǐ ruǎnhuà jiāng zhī.

"Boa noite, garçom! Vou escolher o tradicional. Pato à Pequim. Peço apenas que suavize o molho de gengibre."

O homem se inclinou para a frente, como o costume oriental. 

— Hǎo de nǚshì! Suíxīnsuǒyù.

"Tudo bem, senhora! Ao seu gosto."

Olhei para a expressão de todos naquela mesa. Vargas, mais um pouquinho, e sua baba escorria. Sabine, no seu modo nem aí, Gilvan, aparvalhado, Ziza, a cara do despeito e, o "Si Ou" misógino, com cara de otário. Era assim mesmo que eu queria.

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