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Capítulo 4 Garrett

Garrett

Último ano na querida Crownwell Academy, e quem diria que ia virar a nossa versão particular de Jogos Vorazes.

A Constelação — eu incluso — era a caçadora. E o garoto recém-chegado, com cara de “Nárnia”, era o alvo.

Não que eu tivesse planejado assim.

A primeira vez que eu vi ele, ele veio com tudo e trombou em mim no corredor, como se não entendesse o básico de como o espaço funciona. Meu primeiro instinto foi automático — raiva, o peso do corpo indo pra frente, os músculos já armando pra empurrar ele de volta pro lugar dele, porque… bom, sim, por que não…?

Aí eu olhei pro rosto dele.

E tudo na minha cabeça travou.

Cabelo escuro. Macio demais. Bagunçado demais. Como se ele não estivesse nem aí se ficava no lugar ou não. Mas foram os olhos que me pegaram — âmbar, afiados, presos nos meus como se ele não tivesse medo do que ia encontrar ali. Como se ele não estivesse calculando rota de fuga enquanto eu encarava.

E, pra constar, eu não faço isso.

Eu não fico encarando o olho de outros caras e essas merdas. Eu não travo em corredor. Eu não—

Eu não sou viado, porra.

Então, seja lá o que foi aquilo, eu cortei na hora.

Mandei ele prestar atenção. Frio. Seco. Como se ele não fosse nada. Mas ele parecia alguma coisa, e isso me incomodou o suficiente pra eu sair dali sem olhar pra trás.

E eu teria apagado ele da minha cabeça depois disso se o Aslão — ou seja lá qual fosse esse nome de hippie — não tivesse resolvido ficar na minha cara logo no dia seguinte.

A ousadia.

Lá no refeitório, pagando de valente, chamando a gente pra briga como se estivesse com vontade de morrer, como se não tivesse acabado de entrar num sistema que mastiga as pessoas por esporte. Como se não soubesse como aquele lugar funcionava.

Então eu dei pra ele o meu famoso — e raro — distintivo da Estrela de Prata.

Mas, de algum jeito, ele não entendeu o recado, e dois dias depois ele ainda estava em todo lugar. Nos corredores. Na sala. Na minha frente… que nem um vírus. Inquietante. Barulhento. Mexendo com a minha cabeça de um jeito que eu não estava nem um pouco a fim.

Pior — ele estava mexendo com o Aitor.

Eu vi… e só isso já era motivo suficiente pra acabar com aquilo rápido.

Só tinha uma opção.

Ferrá-lo o bastante pra ele desistir.

Ele não pertencia a Crownwell mesmo. E muito menos tinha o direito de puxar atenção de gente que já carregava pressão demais nas costas.

A Constelação não era só um grupo. Era um ecossistema. Equilíbrio. Controle… e controle tinha um preço que ninguém nunca fazia questão de mencionar.

Minha mãe gostava de dizer que liderança significava sacrifício, e ela já tinha feito sacrifícios demais pra eu estragar tudo pra ela.

Isso estava mais do que claro.

Pra mim, manter o topo significava viver todo dia com a coluna travada, esperando a menor rachadura virar sangue na água.

Eu aprendi cedo o que acontece quando você escorrega… e eu que se dane se eu ia passar por aquilo de novo…

Então, é.

A gente tinha uma reputação pra manter, e o garoto de Nárnia era uma ameaça — querendo ser ou não.

Eu cerrei a mandíbula e olhei por cima do pátio, já planejando como fazer ele sumir da minha linha de visão.


Os campos de equitação ficavam na ponta do campus, cercados por trilhos brancos e tradição de gente com grana antiga. Eu me apoiei na cerca com os outros, braços cruzados, entediado até o osso.

Cavalo não era a minha praia. Grande demais. Imprevisível demais. Poder demais enfiado numa coisa que podia decidir, em meio segundo, que você não significava nada.

Aí eu vi ele. Claro…

Aslão andando em direção ao piquete como se realmente pertencesse àquilo. Calmo. Focado. Sem hesitar. Ele pousou uma mão no pescoço do cavalo como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Tempest.

Até eu conhecia esse nome.

Três cavaleiros machucados no último ano. Um com o braço quebrado, outro arremessado com força a ponto de largar o programa de vez. Os instrutores adoravam fingir que era “formação de caráter”.

Eu me endireitei sem perceber.

O idiota era novo, mas mesmo assim colocaram ele no cavalo maluco.

Aslan montou com facilidade, postura relaxada, como se tivesse feito aquilo mil vezes. Tempest se mexeu debaixo dele, os músculos enrijecendo, a cabeça sacudindo, o pescoço arqueando, e ele bateu um casco no chão uma vez, depois duas, forte o bastante pra arrancar murmúrios de algumas pessoas.

Alguma coisa no meu peito apertou. Eu estava, por acaso, preocupado com ele?

Tempest empinou — só um pouco. E então disparou.

Não pro lado. Não em círculo.

Reto na direção da cerca.

Reto na direção de mim.

Merda!

Por um segundo congelado, meu corpo não respondeu. Eu estava prensado contra o trilho, olhos arregalados, o coração batendo tão forte que doía. Não tinha pra onde ir. Não dava tempo de me mexer.

Eu vi tudo com uma clareza brutal — cascos rasgando a terra, as narinas de Tempest dilatadas, a força dele solta e apontada direto para o meu rosto.

Eu me preparei para o impacto...

Ele nunca veio.

— Aslan! — gritou o instrutor, alarmado.

Mas Aslan já estava em alerta máximo — inclinando o corpo para a frente, baixando o centro de gravidade, a voz atravessando o caos em comandos curtos e controlados em espanhol. Calmo, firme, sem medo.

Tempest diminuiu bem na cerca... bem na minha frente.

O cavalo empinou uma vez, bufando, e então ficou imóvel — a cabeça enorme a poucos centímetros do meu peito, o bafo quente contra a minha pele. Terra e silêncio pesaram no ar.

Os olhos de Aslan estavam presos nos meus. Focados, intensos, constantes. Como se ele nunca tivesse duvidado que ia parar aquilo.

Como se eu fizesse parte da equação.

Por um segundo, ninguém se mexeu.

Então Aslan desmontou e deu um passo para trás.

Eu percebi que estava respirando rápido demais. Forcei a respiração a baixar. Me endireitei. A máscara de volta ao lugar.

— Não pense que me salvar significa que eu vou aliviar pra você — eu disse, frio, como se meu pulso não tivesse acabado de tentar fugir da minha caixa torácica.

Algumas risadas vieram atrás de mim quando eu me virei e fui embora. Eu não olhei para trás.

Naquela noite, eu fiquei sozinho no meu quarto, luzes apagadas, encarando o teto do meu quarto privativo. Meu silêncio privativo. O tipo de silêncio que minha mãe preferia — sem testemunhas, sem rachaduras.

Mas a imagem não ia embora.

Os músculos dele se contraindo enquanto ele montava aquele cavalo... uma coisa selvagem trazida ao controle sem força.

Eu fechei os olhos com força.

A próxima coisa que eu soube, alguém bateu na porta. Quem diabos era agora? Eu joguei as pernas para fora da cama, irritado.

Quando eu abri, ele estava lá — Aslan, o cabelo indomável caindo sobre aqueles olhos líquidos. A camisa estava meio desabotoada, revelando os músculos lisos do peito. Eu engoli em seco ao ver aquilo.

— Que porra você quer? — eu consegui dizer, a voz mais áspera do que eu pretendia.

Aslan deu um passo à frente, fechando a porta atrás de si com um clique suave.

— Você nunca me agradeceu direito por ter te salvado.

Antes que eu pudesse reagir, ele já estava colado em mim, o corpo quente e sólido. E então a boca dele estava na minha — firme, exigente, com um gosto leve de menta e de alguma coisa mais selvagem.

Eu resisti por meio segundo antes de soltar.

Minhas mãos se enroscaram no cabelo dele enquanto eu o beijava de volta, toda a tensão do dia derretendo em necessidade crua. Os dedos dele trabalharam nos botões da minha camisa enquanto os meus encontravam a fivela do cinto dele. Roupas caíram entre beijos frenéticos e suspiros.

O quarto girou quando ele me empurrou na direção da cama, o olhar queimando com uma intensidade que combinava com a minha. No instante em que as mãos dele agarraram meus quadris, me puxando contra ele — minhas costas bateram no colchão com um baque macio.

Aslan estava sobre mim num instante, o cabelo escuro emoldurando o rosto, roçando aqueles lábios cheios e macios. A boca dele desceu no meu pescoço, os dentes arranhando minha pele só o suficiente pra me arrancar um suspiro. Eu me arqueei na direção dele, os dedos cravando nos ombros dele.

— Garrett — ele murmurou contra a minha garganta, a voz baixa e áspera. — Você é bom pra caralho.

Minhas mãos já estavam tateando o zíper do jeans dele, desesperadas pra sentir mais dele. Ele me ajudou, o tecido se juntando nos joelhos antes de ele se pressionar contra mim de novo, pele com pele, duro e pronto.

Eu enrolei as pernas na cintura dele, puxando-o pra mais perto, precisando — precisando — antes de eu virar a gente, prendendo os pulsos dele acima da cabeça. Um sorrisinho surgiu nos lábios dele quando eu me coloquei entre as coxas dele, meu pau pressionando contra a entrada.

— Olha pra mim — eu exigi, a voz áspera de desejo.

Ele sustentou meu olhar, as pupilas dilatadas. Eu empurrei devagar, saboreando o jeito como o corpo dele cedia ao meu. O calor apertado me envolveu conforme eu entrava mais fundo. A respiração dele falhou, as costas arqueando para fora da cama.

Bem quando eu estava prestes a meter nele por completo —

Eu me sentei na cama de supetão, o coração disparado. O quarto estava escuro. Vazio. Só eu e o fantasma de um sonho que parecia mais real do que a realidade.

— Que porra?

Meus olhos ficaram arregalados, o maxilar travado, e os nervos vibrando como se eu tivesse engolido eletricidade.

Quem diabos era esse cara? Eu não sabia porra nenhuma sobre ele, além do fato de que ele estava se enfiando debaixo da minha pele como um maldito sanguessuga. Mas eu ia descobrir — e o Evan ia me ajudar a cavar tudo, absolutamente tudo, sobre ele.

Seja lá o que isso fosse — seja lá o que ele estivesse fazendo comigo —

Eu ia acabar com isso.

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