Uma condição hormonal fez meu peso chegar a duzentas libras e, durante três anos, este internato fez questão de que eu nunca me esquecesse disso.
O líder da matilha era o cara que toda garota idolatrava.
E ao lado dele estava a namorada, aquela que sempre aparecia nos meus piores momentos com uma voz suave e um olhar cheio de pena, como se estivesse me fazendo um favor.
Todo mundo a chamava de anjo. Só eu conhecia a verdade: toda vez que ela “ajudava”, as coisas pioravam.
Um dia, ela me entregou um doce na frente de todo mundo. “Toma. Uma coisa doce sempre ajuda.”
Eu não senti que tinha escolha.
Naquela noite, um demônio apareceu aos pés da minha cama.
“Parabéns. Você comeu o doce do pacto. Vou te conceder três desejos — dinheiro, beleza, tempo de vida. Você pede, eu faço acontecer.”
Meu corpo inteiro tremeu. Três anos de humilhação e, finalmente, havia uma saída. Riqueza, beleza, vingança. Tudo o que eu tinha que fazer era pedir.
Então a expressão do demônio mudou, os olhos cheios de um divertimento cruel.
“Só que tem um porém. Quem detém o pacto de verdade é outra pessoa. Seja lá o que você desejar, quem te deu esse doce recebe o dobro.”
As palavras que eu ia dizer morreram na minha garganta.
Então, devagar, eu sorri.
O dobro?
Isso é muito mais interessante do que três desejos.