Aos olhos dos outros, eu tinha um casamento invejável — meu marido era rico, poderoso e bonito, e me tratava com um cuidado carinhoso. Mas ninguém sabia que, em três anos de casamento, dava pra contar nos dedos as vezes em que a gente tinha ficado íntimo.
Desde que nosso filho morreu, três anos atrás, ele se afastou de mim com a desculpa de que estava “cultuando Buda”, dizendo que quem pratica o budismo precisa evitar desejos carnais. Eu achei que o nosso luto tinha feito ele escolher a fuga, até aquela noite...
Quando eu me preparei com todo cuidado, na esperança de ter outro filho, ele me rejeitou mais uma vez. Depois, eu vi nas tendências das redes sociais fotos dele abraçando uma celebridade enquanto os dois entravam num hotel, e a expressão doce dele ao se ajoelhar, com um joelho no chão, segurando uma menina de três anos.
No fim, ele não é que não queria filhos — ele só não queria filhos comigo.
Quando ele teve a cara de pau de trazer a amante e a filha bastarda pra dentro de casa e ainda exigiu que eu abrisse mão da suíte principal, eu finalmente entendi: eu não passava de uma ferramenta pra ele manter as aparências.
O que me despedaçou de vez foi quando elas “sem querer” derrubaram a urna da minha filha, e ele, pela primeira vez, levantou a mão pra mim — tudo pra proteger as duas.
Ele não sabia que, dentro daquela caixinha, estava a minha última esperança neste mundo.
Os papéis do divórcio já estão assinados, faltam 29 dias pro período de reflexão. Desta vez, eu nunca mais vou olhar pra trás!