Perseguindo Sua Companheira Sem Cheiro

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UNDUH

Capítulo 3

POV da Caroline

Quando me encontrei com a Eleanor para almoçar na segunda-feira, ela me entregou uma sacola embrulhada com elegância.

— Minha mãe ouviu dizer que você ama esse perfume que ela fez — disse Eleanor. — Ela falou que combina perfeitamente com você.

Eu abri a sacola, e meu coração deu um salto. Lá dentro estava o perfume que eu usei na noite do baile de máscaras. O cheiro trouxe tudo de volta — os olhos violeta dele, o toque dele e o jeito como a Rory tinha reagido de forma tão intensa a ele.

— Agradece a Luna Marla por mim — eu disse, torcendo para que aquela noite mágica tivesse me deixado só lembranças doces, e não uma IST. — Eu passo lá mais tarde pra agradecer pessoalmente. Mas antes eu preciso marcar aqueles exames de que a gente falou.

Depois do almoço, eu liguei para o laboratório. Eles precisavam de um pedido médico para o convênio cobrir.

Ainda bem que a BuildRight Corp, a empresa da nossa alcateia, tinha um plano de saúde excelente.

A nossa situação financeira era tranquila, como família de Beta. Meu pai cuidava da logística e da segurança da alcateia junto com o Alfa Gerald, enquanto minha mãe ajudava a Luna Marla com assuntos do território.

A gente vivia bem, mas, como universitária, eu queria administrar meus próprios gastos e ser independente.

O horário mais cedo que consegui foi só dali a duas semanas. A cada dia que passava, eu ficava mais ansiosa, embora a Eleanor fizesse tudo o que podia para me manter calma. Quando o dia chegou, ela foi comigo ao consultório, ajudou a organizar os exames no laboratório e fez questão de ficar ao meu lado o tempo todo.

Três semanas tinham se passado desde o baile de máscaras quando eu finalmente fiz os exames. Cinco dias depois, os resultados saíram, e eu voltei à médica com a Eleanor ao meu lado, a mão dela apertando a minha para me dar apoio.

A médica examinou os resultados e então olhou nos meus olhos.

— Senhorita Bennett, você está saudável. Está tudo certo.

Eu soltei um suspiro de alívio. Aí ela completou:

— Mas, de agora em diante, você vai precisar se cuidar melhor.

Eu assenti, já esperando o sermão sobre sexo sem proteção que eu merecia. Não usar proteção foi uma burrice — eu podia ter pegado algo sério.

Mas então ela sorriu, calorosa.

— Parabéns, você está grávida! Vou encaminhar você para a obstetra e ginecologista da nossa alcateia para o pré-natal...

As palavras dela ficaram distantes, embaralhadas, enquanto meu coração disparava. Grávida? Eu? A filha responsável do Beta, que sempre pensava em tudo? A que sempre considerava as consequências? Na primeira vez em que eu cedi ao impulso, agora eu estou carregando um filhote de um estranho que eu nem conheço?

A Rory choramingou na minha mente, tão chocada quanto eu.

“Um filhote... a gente vai ter um filhote, Caroline. O que é que a gente vai fazer?”

Eu engoli em seco, lutando para encontrar palavras para confortá-la. Como eu podia, se eu mal conseguia respirar?

A Eleanor apertou minha mão com mais força, repetindo sem parar:

— Não surta, Carrie. Vai ficar tudo bem. Eu tô aqui. A gente vai passar por isso juntas.

Como é que alguma coisa podia estar bem? Eu não sabia quem era o pai. Eu teria que contar aos meus pais. Eu, filha do Beta, grávida sem ter um companheiro. Além de envergonhar meu pai dentro da alcateia, isso partiria o coração dos meus pais. Eu já era olhada de cima por ser uma loba sem cheiro. Aí meu namorado me traiu... e agora isso? Deusa da Lua, até onde isso pode piorar? Meus pais ficariam arrasados, decepcionados — talvez até me expulsassem da alcateia. Como eu poderia explicar que eu nem sequer sabia como era o rosto do pai do meu filhote por baixo da máscara?

Minha respiração ficou curta e acelerada.

A médica pegou na minha mão. “Calma, querida. Pelo que eu estou vendo, a situação não é das melhores, mas ficar assim vai fazer mal ao seu filhote. A partir de agora, você precisa pensar no bebê. Tenho certeza de que a sua alcateia e a sua família vão te apoiar, mas você precisa se acalmar, porque só você pode garantir que esse filhote se desenvolva direito e nasça forte. Entendeu?”

Eu encarei a senhora mais velha, simpática, de óculos, e assenti. Havia um brilho nos olhos dela — uma compreensão — que acalmou a mim e a Rory.

Ela chamou a assistente para me trazer um chá de camomila com ervas calmantes específicas para lobas grávidas e, enquanto eu bebia em goles pequenos, ela passou para a Eleanor todas as informações necessárias sobre gravidez de lobos e cuidados pré-natais.

Ao sair do consultório, Eleanor me levou a uma lanchonete tranquila na borda do nosso território, insistindo que eu precisava comer alguma coisa. Assim que nos sentamos, as lágrimas começaram a cair. Eleanor me puxou para um abraço.

“A única coisa de que eu tenho certeza agora”, eu disse entre soluços, “é que eu quero que você e o Nate sejam os padrinhos do meu filhote. Eu sei que vocês vão apoiar ele e encher ele de amor quando eu não conseguir ser suficiente.”

Os olhos dela se iluminaram, e ela também começou a chorar. “Eu vou ser a madrinha mais dedicada de toda a Alcateia Lua de Sangue”, ela prometeu. “E o nosso filhote sempre vai saber que é amado! O Nate vai ficar radiante também — ele já te trata como uma irmã de alcateia.”

Eleanor garantiu que ficaria ao meu lado em tudo e deixou claro que eu não enfrentaria nada daquilo sozinha. Prometeu ir comigo quando eu falasse com meus pais. Meus pais... só de pensar, meu estômago se contraiu. Decidi que não esconderia isso deles nem por um dia; eu contaria naquela mesma noite. Eu faltaria ao treino da noite e iria direto para casa.

“Então vamos”, Eleanor disse, sem hesitar. “A gente vai encarar juntas.”

Quando chegamos à minha casa, meus pais se assustaram ao nos ver.

Minha mãe veio até nós, com preocupação no olhar.

“Meninas, vocês não tinham treino hoje à noite? Está tudo bem?”, ela perguntou.

“Não muito, mãe. Eu preciso falar com vocês dois.”

Sentamos na sala. Minhas mãos tremiam enquanto eu as torcia no colo.

“O que foi, querida?”, minha mãe perguntou.

Eu respirei fundo. “Eu estou grávida.”

O silêncio que veio depois foi ensurdecedor. O rosto da minha mãe perdeu a cor, e o maxilar do meu pai se travou.

“É... é do Marcus?”, a voz da minha mãe tremeu.

Os punhos do meu pai se fecharam. “Aquele desgraçado te engravidou e depois casou com a sua prima? Eu vou matar ele—”

“Não!”, eu interrompi depressa. “Não é do Marcus. Eu... eu não sei quem é o pai.”

Os olhos da minha mãe se arregalaram. “Como assim você não sabe?”

—Foi no baile de máscaras —sussurrei, sem conseguir encarar o olhar deles. —Foi só uma noite… ele estava de máscara…

Mamãe desabou em lágrimas, soluçando no sofá. Papai abriu a boca várias vezes, mas nenhuma palavra saiu. Ao ver o desespero dos meus pais, Eleanor correu para a cozinha e voltou com um chá de ervas especial, daqueles que ajudam a acalmar os nervos de um lobo.

Por fim, meu pai falou:

—Você cometeu um erro grave, e não tem como voltar atrás nesse caminho agora.

Meus pais eram membros respeitados da nossa matilha. Meu pai era alto e imponente, e minha mãe parecia uma versão mais velha de mim; os dois se portavam com a dignidade esperada de lobos Beta. Ouvir meu pai reforçar o tamanho do meu erro fez meu coração doer ainda mais. Rory choramingou dentro de mim quando eu comecei a chorar.

—Eu sei, pai. Eu fui irresponsável. Mas agora não tem nada que eu possa fazer, a não ser encarar as consequências. Vou trancar a faculdade pra criar meu filhote. E eu vou arrumar minhas coisas…

—Arrumar suas coisas? Você está enganada se acha que vai sair desta casa —ele me interrompeu. —Você errou e, sim, nos decepcionou, mas nós te amamos. A gente vai lidar com isso junto e vamos te ajudar. Você não está sozinha, minha filha! E esse filhote também não está!

Meu coração se encheu de esperança quando Rory finalmente se aquietou dentro de mim, acalmado pelas palavras do meu pai.

—Mas, pai… eu envergonhei a nossa família —sussurrei. —E a sua posição na matilha.

Ele me encarou.

—Você não é a primeira mãe solteira nesta matilha, e não vai ser a última. Sim, a gente esperava que você tivesse um companheiro ao seu lado. Você sempre foi tão cuidadosa, tão responsável. Mas, se esse é o caminho que a Deusa da Lua escolheu pra você, então nós vamos percorrer esse caminho com você. Como família. Como sua matilha. Você não vai abandonar seus estudos. Agora, mais do que nunca, você precisa seguir em frente, pelo seu filhote. Ser uma mãe solo significa que o seu dever com a matilha dobra. Mas você não vai carregar isso sozinha. A gente vai estar aqui. Não vai ser fácil, mas a gente aguenta. É isso que a gente faz.

Eleanor já estava chorando.

—Beta Robert, Linda, podem contar comigo e com a minha família. Eu vou ajudar em tudo! Como madrinha desse filhote e melhor amiga da Carrie, eu vou estar sempre presente. A Matilha da Lua de Sangue protege os seus.

Meus pais agradeceram a ela por ajudar. Olhando para aquelas três pessoas que prometeram me apoiar, eu me senti muito sortuda por tê-las na minha vida. Eu amava tanto os três… e eu também estava começando a sentir amor pelo meu filhote —uma ligação especial que eu nunca tinha conhecido antes.

Mesmo sabendo que ser mãe solteira seria difícil, eu não me arrependia daquela noite no baile. Aqueles olhos violetas me olhando com desejo durante o nosso encontro ardente e tudo o que o meu corpo tinha vivido… eu guardaria aquelas lembranças para sempre.

Os meses seguintes foram difíceis. Eu guardei tudo daquela noite —o vestido, os sapatos, a máscara e o perfume da mãe da Eleanor— numa caixa especial. Nos dias ruins, eu abria a caixa e pensava naquela noite. Lembrar me deixava mais forte.

Tudo estava indo bem com a minha gravidez. Os cochichos e os julgamentos da matilha eram mais difíceis de aguentar do que qualquer desconforto físico. Para piorar, depois da cerimônia de acasalamento, Marcus e Selina foram morar com os pais dela — que, por coincidência, moravam na mesma rua que a minha família. Eles adoravam passar na frente só para debochar.

— Ah, olha só, a mãe solteira — Selina zombou, alto o bastante para os outros ouvirem.

Mas o pior era a tia Diana, a própria irmã da minha mãe.

Numa tarde, ela entrou sem bater. — Bom, passei aqui para ver como você está se virando. Deve ser difícil criar um filhote sem saber quem é o pai.

Minha mãe enrijeceu ao meu lado, mas não disse nada.

Diana continuou: — Ainda bem que, graças à Deusa da Lua, a Selina saiu melhor. Ela encontrou um companheiro de verdade. Um lobo forte, respeitável. Não que nem você. Você fica por aí dormindo com qualquer um. Não é à toa que o Marcus te rejeitou.

Eu cerrei os punhos. Ela convenientemente ignorava a verdade: a filha dela tinha roubado o meu companheiro. Eu tentei me manter calma e não me irritar. Brigar com as pessoas não fazia bem para o meu filhote, então eu engoli os comentários maldosos. Eu não queria que o meu estresse afetasse o meu filhote.

Com o passar do tempo, eu amei meu filhote cada vez mais — mais do que eu imaginava ser capaz. Tudo o que eu fazia agora era por ele. Eu faria qualquer coisa para protegê-lo e mantê-lo em segurança.

Mesmo que algumas pessoas fossem cruéis, outras coisas na minha vida estavam indo bem durante a gravidez.

O Alfa Gerald, como CEO da BuildRight Corp, foi surpreendentemente compreensivo com a minha situação. Ele até me deu um pequeno aumento, o que, sinceramente, ajudou muito!

Eleanor e Nate me mimavam com atenção, completamente apaixonados pelo afilhado deles antes mesmo de a gente saber se era menino ou menina. Eles insistiram em montar o quartinho do bebê por conta própria, transformando um cômodo na casa dos meus pais em algo que parecia saído de um sonho.

A Eleanor ia comigo a todas as consultas e exames com o médico da matilha. Ela não perdia um instante. E ainda planejou duas comemorações. Uma foi com meus amigos do trabalho, e a outra com a nossa família.

Meu filhote nasceria em um mundo cheio de amor, dos dois lados da minha vida.

Quando descobri que seria um menino, decidi chamá-lo de Liam. E foi assim que Liam Bennett nasceu saudável, com um par de olhos violeta marcantes que para sempre me lembrariam da noite que mudou a minha vida — a melhor noite que eu já vivi! Eu nunca esqueceria aquele homem misterioso de olhos violeta, embora a identidade dele continuasse desconhecida para mim.

Desde o primeiro suspiro, meu filho foi cercado de amor. Meus pais, antes decepcionados, agora paparicavam o neto com fervor. Eleanor e Nate vinham todos os dias, sempre por perto para ajudar. Até o Alfa Gerald e a Luna Marla viraram como se fossem família, me chamando de filha e enchendo o Liam de presentes, inclusive o melhor carrinho. No aniversário do Liam, eles trouxeram flores-da-lua e balões.

Depois da licença-maternidade, o Liam ficou com a minha mãe enquanto eu equilibrava trabalho e faculdade. Graças aos meus pais e aos padrinhos dele, eu não perdi nenhum semestre e me formei junto com a Eleanor.

Com o meu diploma na mão, eu estava pronta para construir minha carreira e vencer. Eu estava determinada a dar ao Liam tudo o que ele precisasse.

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