O Don da Máfia Implora para Eu Voltar

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Capítulo 2 Meu próprio filho gostaria que eu estivesse morto.

Ponto de vista de Elara

Desliguei e puxei as cortinas.

Aquela propriedade era a base da família Montgomery. Também tinha sido a minha prisão por três anos.

Amanhã de manhã, meu marido e meu filho me levariam ao hospital. E, em um mês, colocariam meu coração no peito de outra mulher.

Nem pensar!

Fechei os olhos. Quando os abri de novo, estavam gelados como gelo.

O trabalho começava no mês que vem — exatamente no mesmo dia da cirurgia de Vivian.

Guardei os papéis do divórcio assinados na gaveta do meu quarto.

Um mês.

Só mais um mês para aguentar.

Por mais longe que o alcance de Damian chegasse, o poder dele não atravessava o oceano.

Assim que eu chegasse lá, eu mudaria de nome, abandonaria minha identidade. Eu não seria mais mãe de ninguém nem esposa de ninguém.

Eu não seria ninguém. Eu seria apenas eu mesma.

Na manhã seguinte, não me levantei para fazer o café da manhã deles.

Quando desci, Damian já estava esperando.

Uma camisa cinza-escura esticava sobre a parte superior musculosa do corpo dele. A refeição instantânea à sua frente estava intacta. Ele segurava um cigarro entre os dedos, perdido em pensamentos.

Quando me viu, algo tremulou em seus olhos — confusão, talvez.

Claro que eu sabia o que o confundia.

Nos últimos cinco anos do nosso casamento, eu sempre tinha sido a primeira a acordar.

Eu fazia cafés da manhã diferentes todas as manhãs, separava as roupas deles para o dia, arrumava tudo de que precisavam. Cuidar de Damian e Caleb tinha sido o trabalho da minha vida.

Agora, eu não tinha feito nada disso. Eu apenas caminhei direto até a porta.

— Mamãe! — Caleb pulou da cadeira.

Olhei para ele.

Ele ergueu o rostinho, os olhos brilhando. — Posso ver a mamãe Vivian hoje? O papai disse que, quando você for pro hospital, eu vou poder ver a mamãe Vivian todo dia!

Forcei um sorriso, sem saber o que dizer.

— Eba! — Ele pulou, animado, gritando para Damian. — Papai, anda logo! Eu quero levar pra mamãe Vivian aquele ursinho — eu prometi pra ela da última vez!

Damian apagou o cigarro e se levantou. Com um metro e noventa, sua presença poderosa carregava uma opressão indescritível. Ao passar por mim, seus passos hesitaram por um instante.

Meu coração falhou uma batida.

Sim. Mesmo agora, eu pateticamente esperava que ele amolecesse. Afinal, tínhamos ficado juntos por cinco anos. Eu tinha lhe dado um filho.

Mesmo sem amor, devia haver pelo menos misericórdia, não?

Mas não havia. Ele foi até a porta com a mesma indiferença fria que mostrava aos homens desesperados que caçava e abriu a porta do carro para mim.

— Entra.

Mais uma rachadura se abriu no meu coração. Entrei em silêncio.

No hospital particular da família Montgomery, fomos direto para o quarto de Vivian.

Quando entramos, ela estava recostada na cama, assistindo à TV.

O rosto pálido, o avental hospitalar folgado no corpo — mas, mesmo assim, ela era linda.

Aquele tipo de beleza frágil que fazia você querer embalá-la nas mãos.

— Damian.

Ao vê-lo, os cílios dela tremularam. Então seu olhar caiu sobre mim, e ela tentou se sentar.

— Elara, você veio. Eu estava querendo te dizer—

— Não se levante. — Damian ajustou a inclinação da cama. Aquele homem que controlava todo o submundo ficava surpreendentemente gentil. — O médico disse que você precisa ficar deitada.

Vivian sorriu, fraca. — Eu estou bem. Eu só queria dizer algumas palavras para a Elara.

Caleb correu até a beira da cama. — Mamãe Vivian, eu trouxe o ursinho! Se você abraçar ele, não vai doer mais!

Vivian afagou o cabelo loiro dele. — Obrigada, Caleb. Você é um amor.

Eles pareciam uma família. Eu era a estranha, deixada do lado de fora.

—Elara. —Vivian se virou para mim, com um olhar sincero. —Eu realmente não sei como te retribuir. Não se preocupe — daqui pra frente, vou cuidar bem do Damian e do Caleb.

Assistindo àquela encenação agradecida, eu não senti nada além de uma ironia amarga.

Ela estava me agradecendo pelo quê? Por ter entregado meu coração a ela? Por morrer no lugar dela?

Antes que eu terminasse esse pensamento, Vivian acrescentou, tímida:

—Damian, a Elara cuidou de você todos esses anos. Ela deve ser muito boa em cuidar das pessoas, né? As enfermeiras daqui são profissionais, mas são meio brutas...

Ela mordeu o lábio inferior.

—Você e seu filho também cuidam bem de mim, mas vocês são homens... tem coisas que não são convenientes. Se a Elara não se importar, ela poderia ficar responsável por cuidar de mim durante a minha internação?

Meus dedos se fecharam em punhos. Instintivamente, olhei para Damian.

O olhar frio dele passou por mim.

—Você ouviu. Nesses próximos dias, você vai cuidar das necessidades diárias da Vivian. Banho de esponja, troca de curativos, refeições — tudo.

Ele queria que eu cuidasse daquela mulher. Que eu desse banho nela.

Que eu lavasse a mulher que estava tomando o meu coração!

—Damian, o que você acha que eu sou?!

—Qual é o problema? Ela só está pedindo pra você cuidar da mamãe Vivian! —Caleb rebateu, impaciente. —Você cuida de mim e do papai em casa todo dia, não cuida? Esse é o seu trabalho! Se você consegue cuidar da gente, por que não consegue cuidar da mamãe Vivian?!

Meu coração se retorceu com violência.

Então, todos esses anos, o que eu tinha dado a ele não se chamava amor de mãe. Chamava-se trabalho.

Pelo menos empregados recebiam salário.

O que diabos eu era?

Talvez pelo choque emocional, minha visão escureceu de repente. Quando cambaleei, um braço segurou minha cintura.

Dedos ásperos, marcados por anos segurando armas, irradiando um calor escaldante.

Ergui o olhar e vi um lampejo de preocupação nos olhos azuis violentos de Damian.

Mas tomei aquilo por uma ilusão.

—Não finja que se importa. —Empurrei a mão dele para longe.

Vivian começou a chorar.

—Esquece, esquece. Se a Elara não quiser cuidar de mim, tudo bem. Eu já sou inútil... não quero ser um peso pra mais ninguém.

Ao ver as lágrimas dela, Caleb avançou contra mim, agitado.

—Como você se atreve a maltratar a mamãe Vivian?!

Minha cintura bateu na quina da mesa. A dor foi tão aguda que eu nem consegui gritar.

—Você é uma mulher ruim! —Caleb apontou para mim, furioso. —Você só sabe mandar em mim e no papai! Eu não gosto nem um pouco de você! Por que você não morre logo?!

Aquelas palavras explodiram nos meus ouvidos.

Eu encarei o ódio nos olhos dele, com o corpo inteiro tremendo de raiva.

Era essa a pessoa que eu tinha enfrentado a morte para trazer ao mundo. Era esse o filho que eu carreguei por dez meses!

Eu não aguentei mais. Dei um tapa no rosto dele.

Caleb congelou. Aqueles olhos azuis — quase idênticos aos de Damian — se encheram de choque.

Porque eu nunca tinha batido nele antes.

Em quatro anos, eu nunca sequer tinha levantado a voz para ele. Quando ele chorava, eu doía mais do que ele. Quando ele ficava doente, eu sentia mais dor do que ele.

Mas hoje, eu bati nele.

O quarto do hospital caiu num silêncio sepulcral.

Nesse momento, uma enfermeira empurrou a porta e entrou.

—Sra. Montgomery, estamos prontos para o seu exame pré-cirúrgico.

Eu nem olhei para ele. Me virei e saí.

Atrás de mim, o choro de Caleb começou. Eu não olhei para trás.

Só quando cheguei à esquina, o rugido rouco e violento de Damian explodiu atrás de mim.

—Caleb!

Eu me virei num golpe.

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